Elis

Elis ★★★★

Assisti ao filme 1 dia depois de terminar de ver a minisérie na Globo. A impressão que tive é que o filme é insuperavelmente superior como história, e a minisérie como documentário.
Procurei assistir ao filme pois perdi um capítulo da minisérie, e também porque o final me incomodou MUITO. Mas muito mesmo. Ele distoava completamente da sensibilidade com que o filme vinha sendo conduzido e fique incomodado com a narração em off, tipo Blade Runner explicando o final de lágrimas na chuva porque os produtores acharam que a audiência era muito estúpida pra chegar a sua própria conclusão.
Aí eu vi o filme e o final é outro, muitíssimo mais coerente e interessante, e embora o diretor tenha procurado dar sua mensagem, ela está DENTRO DO FILME, e não numa narração. Isso permite a você discutir o filme com os amigos, coisa que não é possível na minissérie.

No filme a cronologia e certos fatos importantes como nascimento dos filhos, contexto histórico e pequenas curiosidades que provavelmente os fãs de Elis já sabem ficam de fora ou são atropelados em nome da história que o diretor quer contar. Só que a história é muito boa, e claramente ficou prejudicada na minissérie da Rede Globo, que tirou o ritmo (que é importante pra se envolver no drama) picotando tudo com cenas reais, entrevistas com celebridades, a própria atriz mais velha q foi chamada de novo pra fazer uma Elis dando uma entrevista "em retrospecto", e um narrador cafona dando um contexto histórico tipo documentário dos anos 50. Sem falar que cortar tudo em 4 dias faz você esquecer coisas importantes do começo.
Acho que as duas versões dialogam, e o filme se torna MUITO, mas MUITO interessante se visto após você saber todos os detalhes que aprendi na minissérie.

Ao contrário da minissérie, o filme não fica apontando o dedo pra culpados. Não culpa militares, nem homens, nem a Elis. Mas mostra, sugere, com sensibilidade, até porque nunca soubemos os reais motivos para a morte dela. Uma mulher cercada da figura masculina por todos os lados, que era uma pimentinha rebelde q jogava tudo pra cima, brigava, não se calava, mas que às vezes SE DEIXAVA cercear e se calar, quando tudo o que ela queria era CANTAR, se expressar. E definitivamente não estava satisfeita consigo mesma, e quando se viu o mais perto de ser "livre" não soube tomar as rédeas de sua vida, afundando nas drogas. Uma pena.

Elis (especialmente em sua versão minisérie) é um grande documento histórico das transições musicais do Brasil da Bossa Nova para a Jovem guarda, Tropicalismo e a MPB como conhecemos hoje. E a adição da cena dela com a Rita Lee engrandece a história. Mas o filme é um grande exemplo de documentário musical BEM EXECUTADO, melhor inclusive que Bohemian Rhapsody no aspecto de retratar o artista em suas diversas facetas.