A Good Year ★★★★½

Não havia visto esta comédia romântica de Ridley Scott até pouco tempo atrás, e a revejo logo em seguida. Talvez seja seu filme mais subestimado, o que revela também como sua trajetória nos anos 2000 não fica para trás daquela entre "Os duelistas" e "A lenda". Apenas nessa década ele fez filmes como "Gladiador", "Falcão negro em perigo", "Cruzada", "O gângster", "Rede de intrigas" e este "Um bom ano", mostrando acertos em grande quantidade.

Baseado em romance de Peter Mayle, "Um bom ano" apresenta um executivo de Londres, Max Skinner (Russell Crowe), que recebe de herança uma casa na Provença do tio Henry (Albert Finney). Ele precisa conviver com Francis Duflot (Didier Bourdon), responsável pelos vinhedos e casado com Ludivine (Isabelle Candelier), enquanto recorda de sua infância com o tio (nessa fase, Max é interpretado por Freddie Highmore) e encontra uma garçonete pela qual se interessa, Fanny Chenal (Marion Cotillard). Ao mesmo tempo, surge uma possível filha do tio, Christie Roberts (Abbie Cornish), que pode impedi-lo de fazer o que deseja: vender a propriedade, também contra a vontade de Francis.

Scott utiliza essa história simples para fazer contrapontos (por vezes, óbvios) entre o homem da cidade grande, do mundo dos negócios, e as pessoas de uma comunidade rural. Há, claramente, uma mensagem de que a natureza pode trazer a redenção de alguém que se vê preso num sistema. No entanto, apesar dessa objetividade, Scott não menospreza o espectador e nem tenta enganá-lo: "Um bom ano" remete a filmes dos anos 50 e 60, com uma diferenciada leveza em relação às produções atuais. Isso se deve bastante ao elenco. Mesmo que Crowe tenha alguns maneirismos estranhos ao longo do filme, ele dá sustentação a Max, ao passo que Cotillard e Cornish são muito agradáveis em seus papéis. Os coajuvantes, como Bourbon, Candelier e Finney, estão igualmente ótimos. E há a fotografia extraordinária de Philippe Le Sourd, capaz de captar toda a atmosfera pretendida por Scott. Uma lástima que um filme desses tenha sido tão mal recebido pela crítica em geral, menosprezando elenco e história. Isso diz mais da crítica, certamente, do que do filme.