Captain Fantastic ★★★½

O ator Viggo Mortensen já demonstrou sua versatilidade ao encarnar o herói de "O senhor dos anéis" e papéis ultraviolentos em suas experiências com David Cronenberg, além de regressar à Argentina de origem no excepcional "Jauja". Em "Capitão Fantástico", estreia na direção de Matt Ross, ele interpreta Ben Cash, que teve sua esposa Leslie (Trin Miller) internada por transtorno bipolar.

O casal já havia buscado as florestas, para fugir do modo de vida americano, governado pelo capitalismo, instituindo o "dia de Noam Chomsky", ensinando aos filhos todas as matérias de maneira a se tornarem todos autodidatas, além de preparados fisicamente quase para minicompetições esportistas e caçarem para obter os próprios alimentos, ao mesmo tempo em que se reúnem à noite ao redor de uma fogueira para cantar e falar de clássicos da literatura. Os filhos, com a situação da mãe, ficaram com Ben: Bodevan (George MacKay), Kielyr (Samantha Isler), Vespyr (Annalise Basso), Reillian (Nicholas Hamilton), Zaja (Shree Crooks) e Nai (Charlie Shotwell). É uma comunidade que poderia estar inserida perfeitamente em "Hair", dos anos 70.

Ele acaba encontrando a irmã de Leslie, Harper (Kathryn Hahn), casada com um desajeitado Dave (Steve Zahn), pais de dois filhos que não conhecem direito os estudos, quando fica sabendo de uma notícia delicada, à qual também se ligam Jack (Frank Langella) e Abigail (Ann Dowd), pais de sua esposa. Nos momentos mais acertados, o filme se sente um drama existencial sobre a vida e a morte autêntico; em outro, quando lança mão de nomes de iconoclastas, parece apenas atender a uma vontade de justificar que nada aqui realmente é autêntico. A ligação dele com os filhos, por exemplo, se sente apressada e remanejada para atender ao espectador e seus interesses de ver uma comédia com toques de drama.

"Capitão Fantástico" transita entre o indie conhecido, à la "Pequena miss Sunshine", com toques aqui e ali, no visual, de Wes Anderson e mesmo de "Férias frustradas", na ligação do pai com o filho mais velho, que deseja ir para a faculdade, mas não sabe lidar com os interesses amorosos que surgem. Se ele tem uma primeira metade muito bem definida, com o personagem central sendo realmente peculiar, aos poucos tudo vai se encaixando nos moldes de Hollywood, bastante previsível e mesmo frustrante, além da ingenuidade de parte de seu discurso não coincidir com o comportamento geral de alguns personagens. Falta uma certa acidez da segunda metade em diante que havia na primeira porque Ross não quer enfrentar justamente o "sistema" de filmes realizados para encantar o público com uma lição. Até lá, ainda assim, pelo elenco, montagem, a linda fotografia de Stéphane Fontaine e certas sequências bem-humoradas, o filme vale a viagem.

André liked this review