Fences ★★★½

O ator e diretor Denzel Washington fez a adaptação para o cinema da própria peça que interpretou na Broadway, escrita por August Wilson. A narrativa se passa em Pittsburg, nos anos 50, em que Troy Maxson (Denzel Washington) é casado com Rose (Viola Davis, também parceira de Washington na versão da Broadway) e tem como filhos Cory (Jovan Adepo) e Lyons (Russell Hornsby) e como grande amigo Jim Bono (Stephen McKinley Henderson). O irmão mais velho de Troy, Gabe Maxson (Mykelti Williamson), também faz parte da família, com as sequelas de uma lesão que sofreu durante a Segunda Guerra Mundial.

O filho mais velho, Lyons, de outra mãe, sempre aparece para pedir dinheiro emprestado para sua carreira musical, enquanto o irmão mais novo se dedica ao beisebol, o que deixa Troy um pouco enciumado, já que quase foi jogador depois de uma passagem pela prisão. É exatamente como um homem quer construir cercas ao redor da sua casa para demarcar o que ele pode ser, o que ele conquistou ou não, suas falhas e virtudes. Rose, por sua vez, é o símbolo da mãe que tenta conciliar os filhos e o pai, cada um com suas características particularíssimas, e que tenta romper com os conflitos que surgem.

"Fences" tem uma origem claramente teatral, pelo número (excessivo) de diálogos em sua primeira metade. Quando o filme passa a ter cenas menos exageradas nesse sentido, ou seja, quando Washington deixa de fazer grandes monólogos (e sua direção não ajuda a conter a própria atuação), o filme melhora e abre espaço para uma ótima atuação de Viola Davis. Mas eu arriscaria dizer que grandes atuações têm os coadjuvantes: Jovan Adepo, Russell Hornsby (mais conhecido pela série "Grimm"), Stephen McKinley Henderson e Mykelti Williamson, todos grandiosos em sua simplicidade. Com eles, o filme de Washington atinge a ternura discreta que há em "Loving", por exemplo.

O filme cansa um pouco por esse número de diálogos e pela pouca variação nos cenários, mas Washington consegue desenhar esses personagens de maneira interessante. Mesmo uma revelação em determinada parte justifica o brilho nervoso de Troy durante mais de uma hora, fingindo uma alegria incontida. Washington não está bem como em "Dia de treinamento" e "O voo" por alguns maneirismos, mas ele está inegavelmente bem e mesmo emociona em alguns trechos. Eu diria que o filme começa cansativo (sua longa duração não ajuda em certas partes) e termina até arrebatador. É um filme autenticamente clássico, mostrando um período da história dos EUA que levou a outros movimentos em seguida.