Florence Foster Jenkins ★★★★

O diretor britânico Stephen Frears tem uma longa trajetória desde o sucesso, nos anos 80, de "Minha adorável lavanderia" e "Ligações perigosas", renovado nos anos 90 por "Herói" e nos anos 2000 pela adaptação para o cinema de "Alta fidelidade" e o interessante "A rainha", além do recente "Philomena".

Aqui ele mostra a trajetória de Florence Foster Jenkins (Meryl Streep), uma socialite que fundou o Clube Verdi em Nova York por seu amor à música. A história se passa em 1944, e ela é casada com St. Clair Bayfield (Hugh Grant), que também é seu empresário, apesar de ele ter uma amante, Kathleen Weatherley (Rebecca Ferguson). Em razão da sífilis, ela precisa de uma vida regrada e com muitos medicamentos.

Seu grande sonho, porém, é cantar... o que ela não sabe fazer. Mesmo assim, ela decide se dedicar cada vez mais à música e contrata o pianista Cosme McMoon (Simon Helberg), e tem como assessor o maestro Carlo Edwards (David Haig). Tanto Carlo quanto Bayfield dão a entender que Florence é uma grande cantora, o que deixa McCoon numa situação delicada, pois ele não gostaria de fazer carreira a seu lado. Bayfield faz pequenas apresentações para um grupo seleto, que não ria da esposa quando ela sobe ao palco.

Frears parece não se importar com o excesso de drama ou comédia que esta situação poderia despertar. O espectador pode tanto se sentir piedoso de Florence quanto se importar realmente com ela - e nisso Meryl Streep é exímia, entregando talvez sua atuação mais descompromissada e ainda assim encantadora. Já Grant, um dos atores mais subestimados desde sua estreia, é excepcional como seu marido, e Helberg traz a agilidade de humor que emprega em "The Bing Bang Theory" para tornar seu personagem numa referência de atuação com os olhos. Esses personagens trazem a "Florence Foster Jenkins" uma beleza que se reproduz também na fotografia e na direção de arte impecável da Nova York dos anos 40, com Frears trabalhando cada detalhe. É um filme de época sem grandes reviravoltas, sem subtramas, mas essencial em sua proposta: quando sabemos por que Florence quer se dedicar a cantar de forma operística por um determinado motivo, é quando, na verdade, Frears indica que a busca de sonhos não necessariamente está longe de um afeto oferecido, na verdade, pelos outros, o que fica claro na relação de Florence com seu marido e com seu pianista (no momento em que encontra este e lhe pede para que toque piano). Às vezes, sua história soa trágica, mas é sua emoção que se mantém ao longo de todo filme de Frears.