Gladiator ★★★★★

O cineasta Ridley Scott sempre fez filmes primorosos visualmente (como "Os duelistas", "Alien" e "Blade Runner", apenas para citar alguns exemplos). Com a retomada do sucesso em "Thelma & Louise", depois dos conturbados e frutíferos anos 80, engatou uma sequência de filmes recebidos com mais expectativa, mas não tão bons, como "Até o limite da honra", até que, a partir do início deste século, passou a fazer filmes mais históricos, mas sempre com cenários deslumbrantes. Este "Gladiador" é um feito moderno da narrativa mais simples e, ao mesmo tempo, épica, não por acaso vencedor do Oscar num ano em que tínhamos duas obras de Steven Soderbergh concorrendo, "Erin Brokovich" e "Traffic".

O personagem principal é Maximus, cujo intérprete, Russell Crowe (ganhador do Oscar de ator), faz crer numa volta a um tempo clássico, de "Spartacus". Fiel seguidor de Marcus Aurelius (Richard Harris), imperador de Roma, ele é traído e se torna um gladiador. Roma passa a ser governada por um tirano, Commodus (Joaquin Phoenix), o filho de Marcus Aurelius. O argumento é mais do que previsível, mas Ridley Scott consegue transformá-lo em imagens antológicas de lutas em arenas, com atuação eficiente de todo o elenco (cada personagem é tratado de forma nada unidimensional). A direção de arte e os efeitos especiais também são de muita consistência, sobretudo porque estamos diante de um filme de época, que leva o espectador por algumas horas numa volta a um tempo histórico, com uma trilha sonora magnífica de Hans Zimmer e Lisa Gerrard, além da fotografia irretocável de John Mathieson.