Hacksaw Ridge ★★★★

Depois de 10 anos ausente da direção, ou seja, desde o impactante "Apocalypto", Mel Gibson regressa ao posto com este filme de guerra. Para um astro que recebeu o Oscar de diretor em seu segundo filme, "Coração valente", ter quase desaparecido do meio cinematográfico, cercado de polêmicas, não deve ter sido exatamente fácil. E esta volta surge com um filme bem orçado em 40 milhões que vem conseguindo uma bilheteria boa para seus padrões de exigência.

Em "Até o último homem", ele mostra a trajetória de Desmond Doss (Andrew Garfield), que cresce em Lynchburh, Virginia, e se torna seguidor do Antigo Testamento após passar por algumas experiências em família. Doss salva um homem ferido e, no hospital, acaba se apaixonando por Dorothy Schutte (Teresa Palmer). No entanto, assim como seu irmão, Hal (Nathaniel Buzolic), ele se alista para Segunda Guerra Mundial. Isso vai contra seu pai, Tom (Hugo Weaving, excelente), um veterano de guerra, enquanto sua mãe Bertha (Rachel Griffiths) apenas não quer se envolver em conflitos.

Doss, porém, deseja atuar como médico na guerra. Indo para o treinamento, ele conhece o sargento Howell (Vince Vaughn) e o Capitão Glover (Sam Worthington), que não conseguem convencê-lo a treinar com armas como os demais de seu pelotão. Este é o mote para Mel Gibson mostrá-lo como um homem que resiste às intempéries. Esta parte do treinamento lembra bastante "Nascido para matar", com Vince Vaugh atuando bem como uma espécie de R. Lee Ermey, mas é Teresa Palmer, como o interesse amoroso do personagem central, que é o elo de ligação dele com a possível volta da guerra.

Gibson, quando parte para a guerra, não evita mostrar uma sequência de batalhas espetaculares, feitas com raro esmero técnico que ele sempre mostrou como diretor, auxiliado pela fotografia excepcional de Simon Duggan. O roteiro de Andrew Knight e Robert Schenkkan não chega a aproveitar totalmente seu potencial, principalmente na segunda metade e quando há alguns flashbacks, mas Garfield supera tudo com um desempenho extraordinário, que consegue levá-lo à condição de uma possível indicação ao Oscar.

Existe algo neste filme que evoca "Overlord", filme dos anos 70 sobre um jovem que ia para a guerra e conhecia uma moça durante ela, e "Invencível", experimento de Angelina Jolie subestimado. "Até o último homem" segue linhas básicas de direção, evocando relações num tempo conturbado e às vezes parece ter uma mensagem muito objetiva. No entanto, é por meio dela que Gibson eleva seu material a um patamar de grandiosidade histórica.