Hell or High Water ★★★★

Há alguns filmes que procuram revitalizar um gênero nos tempos modernos, e "A qualquer custo" é um dos mais interessantes. Não parece, mas este é um legítimo faroeste. Um pai divorciado, Toby Howard (Chris Pine), e seu irmão Tanner (Ben Foster), começam a roubar vários bancos no oeste do Texas. Enquanto Toby parece mais tranquilo, Tanner encarna uma faceta mais raivosa, tentando canalizar o que resolveria dívidas da família.

Dois Texas Rangers, Marcus Hamilton (Jeff Bridges) e Alberto Parker (Gil Birmingham), saem à busca da dupla de assaltantes. Este é um filme que dialoga com "Terra de ninguém" e "Onde os fracos não têm vez" e possui um ritmo quase perfeito, com atos bem definidos e ótimas atuações de todo o elenco, principalmente Pine e Bridges, este claramente revivendo o cowboy grosseiro de "Bravura indômita", principalmente quando decide buscar algumas cervejas na geladeira. A história quase não possui diálogos e ainda assim todos funcionam exemplarmente, com cada cena construída de maneira que reflete na seguinte, sem deixar sobras. E o Texas é visto não como um lugar apenas semiabandonado, como também aquele em que as pessoas entram em ajuste umas com as outras de forma assustadora.

O roteirista Taylor Sheridan é o mesmo de "Sicario" e aqui a paisagem é tão deserta quanto no filme de Villeneuve, além do sentimento familiar ser acompanhado de certa melancolia. Tudo é mostrado como uma grande sequência longa em que os acontecimentos se passam quase no tempo que concede o filme. Para isso, os personagens de Pine e Bridges contribuem com eficácia, assim como a fotografia exuberante de Giles Nuttgens, embora a direção deixe o terceiro ato se tornar mais plano.