Loving ★★★★½

Neste ano, Jeff Nichols já lançou "Destino especial", uma mistura entre drama e ficção científica que fica devendo em alguns pontos do seu desenvolvimento. "Loving" é seu segundo filme desta temporada, que estreou no Festival de Cannes.

O filme mostra o amor entre Mildred Jeter (Ruth Negga), uma mulher negra, e Richard Loving (Joel Edgerton), um homem branco e trabalhador de construção, além de mecânico. Buscados à noite pela polícia, quando dormem juntos, acabam presos. Estamos em 1958, em Caroline County, na Virgínia, onde há leis que obrigam a não haver miscigenação. As figuras máximas do preconceito em relação à união são o juiz Bazile (David Jensen) e o xerife Brooks (Marton Csokas). Para escapar da imposição de irem para a cadeia, vão morar em Washington, com o aconselhamento do advogado Frank Beazley (Bill Camp).

No entanto, Mildred não se acostuma como a vida na cidade e deseja voltar ao campo. Surge, a partir de determinado momento, um homem que deseja analisar a situação, Bernie Cohen (Nick Kroll).

Este é um fio simples de narrativa levado da melhor maneira por Nichols. Ele realmente consegue explorar as nuances quando lida com a parte dramática - quase ausente em "Destino especial". Além disso, Negga e Edgerton oferecem atuações comoventes (difícil saber quem está melhor). São atuações que se baseiam principalmente no olhar - e este apresenta toda uma carga passada e futura. Há também a presença do ator favorito de Nichols, Michael Shannon, como Grey Villet.

É um filme sutil, silencioso e terno (talvez a palavra que o defina), com uma simplicidade que costuma inexistir no cinema contemporâneo. Poderia ser um drama intenso com elementos até piegas, mas Nichols mantém tudo com uma certa distância saudável para o andamento da narrativa. Aos 37 anos, este é o cineasta que já nos trouxe peças como "O abrigo" e "Amor mudo": "Loving" é um dos seus maiores acertos.