Passengers ★★★

Há dois anos, o cineasta Morter Tyldum foi recebido com grande ânimo por causa de "O jogo da imitação", com Benedict Cumberbatch atuando como Alan Turing, gênio que encontrou uma maneira de enfrentar o grave problema da Segunda Guerra Mundial. Agora ele regressa em outro gênero, mais delicado do que o drama, neste "Passageiros", tendo uma recepção contrária: poucas vezes se viu tantas críticas negativas. Com uma bilheteria razoável, ele pode, no entanto, se transformar naquilo que mais pretende: uma sessão descompromissada.

Na narrativa, a nave Avalon transporta mais de 5 mil colonos para o planeta Homestead II, numa viagem que deverá durar 120 anos. No entanto, o engenheiro mecânico Jim "Peter Quill" Preston (Chris Pratt) acorda 90 anos mais cedo. Ele fica desesperado, pois está sozinho, pelo menos se contarmos os humanos. A sua única companhia é o androide Arthur (Michael Sheen), não tão discreto quanto os da série "Alien", que atende num bar da nave espacial que remete, claro, a "O iluminado". A sua dúvida existencial é justamente se ficara sozinho para o resto de sua vida, uma vez que não consegue mais localizar como poderia hibernar novamente. Certo dia, ele, depois de muito tempo, decide despertar uma nova passageira, Aurora Lane (Jennifer Lawrence), sem avisá-la sobre isso. Antes, claro, ele fica sabendo de sua história, do fato de que é uma escritora.

Tyldum tem em Pratt e Lawrence seus apoios para contar esta história e inicia fazendo com que Preston lembre Quill, o contrabandista dançarino de "Guardiões da galáxia". Ele deve ter gostado também de "O lado bom da vida", e coloca Lawrence como uma maneira de ganhar uma companheira ao invés de enfrentar a solidão do espaço sideral e para dar também um novo sentido aos passos de dança de um jogo. O mais curioso em relação a "Passageiros" é o quanto seu roteiro autenticamente fraco possui alguns temas interessantes sobre a solidão humana. Não poucas vezes ele parece remeter a traços da história de Adão e Eva, sobre um casal que pode constituir por si só uma humanidade, quando são ameaçados por uma revelação que pode colocar o relacionamento em prova. Já tivemos clássicos sobre seres humanos com sentimento de solidão no espaço, a começar pelo clássico "Corrida silenciosa", e mais recentemente "Gravidade". Falta a "Passageiros" um toque de complexidade pelo roteiro fraco e pela atuação de Pratt, mesmo que em determinados momentos ele até convença, embora Lawrence também não esteja em seus melhores dias. Ainda assim, temos neste exemplar de ficção científica interessante e divertido dentro de alguns aspectos, com bela direção de arte e efeitos visuais de qualidade.