The Counselor ★★★★★

Este filme de Ridley Scott criou muita polêmica e dividiu opiniões à época de seu lançamento e, apesar de apreciar seu trabalho, nunca tinha chegado a assisti-lo, mesmo com todos seus atrativos, inclusive do elenco. O original tem 117 minutos; vi a versão estendida, com 137.

Michael Fassbender faz um advogado de cartel nunca chamado pelo próprio nome. A história inicia com ele e Laura (Penélope Cruz), sua namorada, na cama, e Scott lança mão já inicialmente dessa atração física para contrapô-la ao universo do tráfico de drogas que vai enfocar. Depois de o personagem central ir a Amsterdã tentar encontrar um anel de noivado, ele vai até o Texas tratar com um de seus clientes, Reiner (Javier Bardem), cuja namorada é Malkina (Cameron Diaz), e discutem sobre uma entrega de carregamento de drogas.

O conselheiro combina uma conversa com o parceiro de Reiner, Westray (Brad Pitt), que lhe avisa sobre o perigo dos cartéis mexicanos. Ao se deparar com uma cliente na prisão, Ruth (Rosie Perez), o conselheiro acaba se tornando peça-chave de uma situação.

O mais interessante de "O conselheiro do crime" é como Scott focaliza o homem como um indivíduo ingênuo, a começar por Reiner, numa atuação divertida de Bardem. O Westray de Pitt não fica para trás, e o conselheiro não aguenta mais ouvir piadas sobre o sexo feminino sem imaginar sequer o que pode estar acontecendo. Mais ainda: ele entrelaça uma série de personagens por meio de uma trama que vai se esclarecendo aos poucos, sem colocar ênfase em cada detalhe.

O roteiro de Cormac McCarthy, mesmo com clara influência de "Onde os fracos não têm vez", dos irmãos Coen, contribui para isso, assim como a direção de fotografia espetacular de Dariusz Wolski, sempre compondo os cenários em diálogo com cada personagem. Todos são tipos: o caubói feito por Pitt, aquele que tenta ser moderno, feito por Bardem, e a femme fatale de Diaz. No entanto, nenhum deles soa caricato, pelo contrário. Há uma tensão entre as personagens de Diaz e Cruz que vai se esclarecer mais adiante, e Fassbender desenha um dos personagens mais complexos de sua carreira. "O conselheiro do crime" é mais uma grande obra dirigida por Scott, mostrando que compõe uma das filmografias mais interessantes do cinema norte-americano. E entendo perfeitamente as críticas que o filme sofreu: ele é contestado exatamente por ter algumas das mesmas características de filmes elogiadíssimos. Isso é cada vez mais recorrente na recepção crítica atual.