The Lobster ★★½

O cineasta grego Yorgos Lanthimos faz sua estreia em língua inglesa com um filme tipicamente de seu estilo: "The lobster" é uma das obras mais estranhas do ano. No entanto, estranheza e originalidade não obrigatoriamente constituem um grande filme. Colin Farrell interpreta David, que chega a um hotel e tem o prazo de 45 dias para encontrar um novo amor, ou se transformará no animal que mais lhe convém, no caso uma lagosta. Isso porque no futuro ninguém pode ser sozinho. Ele fica amigo de dois homens, John (Ben Wishaw) e Robert (John C. Reilly), que também estão à procura desse amor para salvá-los. Lanthimos, como em "Dente canino" e "Alpes", torna sua narrativa uma metáfora, sempre com seu excesso teatral e surrealismo, além da belíssima fotografia.

"Dente canino" me parecia desproporcional às suas intenções, mas "Alpes" me pareceu melhor resolvido dentro do que Lanthimos se propõe. Aqui ele começa muito bem, com todas as cenas do hotel muito bem filmadas (e grande design de produção). Quando a produção se desloca para outro ambiente, "The lobster" passa a ser excessivo e se perder, mesmo com as atuações de Lea Seydoux e Rachel Weisz. Lanthimos quer ser uma versão cinematográfica de Kafka, e isso lhe dá, por um lado, caminhos a percorrer e, por outro, algumas limitações que parecem exageradas numa história fechada.

O roteiro de Lanthimos com Efthymis Filippou apresenta uma narrativa interessante na meia hora inicial e um pouco repetitiva e circular quando se apresenta a partir de uma metaforização surrealista que leva, em parte, aos enigmas propostos e em parte a um certo tédio por parte do espectador. O que cria um elo entre as instabilidades do filme é a atuação realmente boa de Farrell, proporcionando uma melancolia a cada sequência.