Thelma & Louise ★★★★½

Geena Davis é Thelma, dona de casa infeliz por causa do marido egoísta (Cristopher McDonald). Amiga da garçonete Louise (Susan Sarandon), as duas partem em viagem a bordo de um Thunderbird 1966. No caminho, Thelma precisa ser protegida pela amiga, desencadeando uma situação imprevisível que atrai a polícia no encalço das duas, promovendo uma caçada. Enquanto Thelma conhece um cowboy de estrada (Brad Pitt), Louise tenta ser a ponta extrema, tentando trazer equilíbrio. As duas se sentem perdidas, e acabam empregando a violência que visualizam no homem, como se fosse uma resposta.

Ridley Scott quer mostrar as duas como símbolos femininos, de desejo de liberdade, e consegue. Mas o faz caindo, muitas vezes na caricatura. Os personagens masculinos são traidores (como o marido de Thelma), e a roteirista Callie Khouri excede também nos furos da trama que arma – afinal, em parte, estamos diante de um policial. É difícil acreditar no que a polícia planeja para capturar as duas e o chefe da operação (Harvey Keitel) não convence. No entanto, Ridley Scott emprega uma direção tão boa e os diálogos fluem de maneira tão precisa que o espectador permanece atento até o final antológico.

Quem se destaca acaba sendo Geena Davis, que surpreende num papel difícil. Susan faz uma Louise antológica, mas Ridley, talvez vacinado pelo fracasso nas bilheterias de "Blade Runner", "A lenda", "Perigo na noite" e "Chuva negra" – quatro filmes seguidos, dos anos 80 –, não quis arriscar, apesar dos bons movimentos de câmera, e, com uma bela fotografia de Adrian Biddle e algumas músicas country de qualidade, fez um road movie clássico e libertador. Embora sua dramaticidade soe às vezes superficial, não pelas atrizes, mas pelo roteiro, eis uma de suas grandes conquistas como diretor.