Toni Erdmann ★★

Esta obra vem sendo bastante divulgada desde o seu lançamento no Festival de Cannes e se tornou favorita a receber uma das indicações ao Oscar de filme estrangeiro e mesmo ganhá-lo de antemão. Bem, eu acredito que "Toni Erdmann" tenta recuperar alguns elementos da obra de Leos Carax na estranheza de comportamento do personagem central. Em primeiro plano: sobre o fato de o filme ser engraçado, divertido (Peter Travers fala em "comédia do ano"), ele não é. Apesar de possuir alguns momentos bem-humorados, é basicamente a tentativa de Winfried Conradi (Peter Simonischek), um professor de música, se conectar novamente com a filha Ines (Sandra Hüller), que se tornou uma consultora de negócios.

Conradi passa a seguir os passos da filha, viajando, por exemplo, a Bucareste, tentando se encaixar na vida dela de alguma maneira. É uma atitude melancólica e solitária, e transparece a cada momento que Conradi puxa seus disfarces para que a filha não se envergonhe com a sua presença. A direção de Maren Ade quer deixar a proposta do filme bastante clara e desviar sua história cotidiana com lances de estranheza. No entanto, ela não consegue desviar do fato de que "Toni Erdmann" é uma metáfora para o desnudamento do ser humano, o que pode acontecer de maneira até literal. É essa necessidade de transparecer a metáfora que torna o filme numa experiência que exige paciência, pois a longa duração (162 minutos) não se justifica, lançando cenas dispersas ao longo da projeção.

Simonischek e Hüller têm boas atuações, como pai e filha, mas seus personagens não são suficientemente desenhados para que o espectador possa se interessar mais por cada um. As coisas ficam num plano de relação que deve ser reconquistada e, não fosse a estranheza do comportamento de Conradi, tudo seria visto até como previsível - como o filme, de fato, é.

Há filmes que me fazem pensar que a crítica deseja inventar obras de tempos em tempos, e leva inúmeros espectadores a pensar o mesmo. "Toni Erdmann" é uma delas.