Aquarius ★★★★★

Difícil começar a falar sobre Aquarius, não porque o filme é difícil e sim porque é difícil mensurar o que é visto na tela. Aquarius é gigante, essencial cinema.

Logo na primeira cena do filme nos é revelado as relações de história, memória e humanidade. Seja no carro, cantando Queen com os amigos, lembrando as aventuras sexuais executadas em cima de um móvel, seja no apartamento do prédio que dá nome ao filme. Aquarius é de uma rara humanidade, em que a personagem Clara vive em meio a suas memórias de vida naquele apartamento, mas não se isola de um mundo sempre novo e, obviamente, desafiador.

Aquarius é um cinema de impecável qualidade. É raro ver, no cinema mundial, uma obra tão bem pensada e concebida. Poucas vezes tive o prazer de ver um filme que me completa na seção de todas as formas possíveis. É mais que uma experiência sensorial, é mais que uma história marcante. É a confluência de uma técnica impecável, atuações memoráveis, uma narrativa construída na perfeição e a manipulação de sentimentos, intrínseca a cada plano em uma verdadeira jornada emocional.

Quando digo que Aquarius é um filme gigante é justamente isso: ele está aí para lhe tirar emoções fortes. Um filme que liberta, seja sua personagem, seja sua plateia. Assistir Aquarius é uma catarse pura. Ver a maestria da direção de Kleber Mendonça Filho, que não deixa aresta sequer em um filme impecável, ideal e belíssimo; e Sonia Braga, que transcende a linha entre atriz e personagem em uma confluência de personalidade incrível, é poder presenciar história sendo feita no cinema. Aquarius não é um filme como poucos. Poucos filmes são como Aquarius. Um que, com esperanças, olha para o hoje em busca de um melhor amanhã. É universal. É brasileiro. É cinema monumental.

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