Certain Women ★★★★★

Tem esse sentimento estranho, que eu acho que é de quem vive em cidade pequena, de uma hora tu olhar ao teu redor e não conseguir perceber onde acaba tua pele e começa o ar. É o sentimento mais estranho do mundo, mas é ao mesmo tempo acolhedor. É estranho de explicar.

Talvez seja o melhor que eu consiga fazer pra descrever o que eu senti assistindo Certas Mulheres. A Reichardt já me impressionou com a capacidade de empatia dela, em nos fazer olhar pras pessoas que ela enquadra, pro jeito que elas comem numa lanchonete tarde da noite; pro jeito que elas se vestem sabendo que estão atrasadas pro trabalho. É um ritmo calmo, mas nunca despretensioso, em que nos faz ponderar sobre o cheiro que o fogo do acampamento deixou na manhã seguinte ou no som que uma bota faz ao esmagar o gelo de manhã.

Só que em Certas Mulheres acho que não tem só empatia. Tem um cuidado, um carinho, por esse silêncio que cerca suas personagens, pelo exato momento em que elas olham ao redor, e não sabem onde o corpo delas termina. A sensação dura instantes e depois acaba, porque elas têm coisas a fazer, e cada detalhe do tempo é importante. E se é importante pra elas a Reichardt sabe como fazer ser importante pra nós também.

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