High Life ★★★★★

Como é comum quando eu vejo os filmes da Claire Denis, High Life me provocou uma reação emocional tão forte que eu passei dias digerindo o filme, experimentando as sensações intensas que ele me provocou.

Em High Life, Denis cria um retrato de um ser humano no absoluto limite existencial internamente e externamente. A diretora aplica sua direção observacional em uma equipe de ex-detentos que participam de uma missão espacial para explorar a energia de um buraco negro — uma missão sem sucesso garantido, provavelmente sem volta e que requer completo isolamento da equipe com seu lar.

Por fora, High Life parece um filme desesperançoso pela condição humana. Denis sempre explorou os limites do nosso corpo na tela — como nos relacionamos com ele, como sentimos ele. Em um filme no espaço, como esse, essa dinâmica é explicita, e Denis usa o êxtase do sexo para criar um ponto de encontro entre a experiência dos seus personagens e a nossa compreensão do que está acontecendo. O corpo humano não foi pensado para ir para o espaço — e High Life faz questão de nos lembrar que, lá fora, nós somos apenas um saco de carne mal amarrado.

Mas é por dentro — nos momentos em que a história para e Denis liga seu modo observacional, navegando pelas câmaras da nave espacial ou acompanhando a rotina de Monte (Robert Pattinson) — que High Life se revela uma história sobre a falta de esperança de pessoas que não possuem um lar. A falta de chão de Monte o mata por dentro enquanto que a falta de gravidade o destroi por fora; e como é difícil para ele criar, naquela nave vazia na orla de um buraco negro, um lar para a bebê Willow. A condição que eles se encontram é desesperadora, mas o gesto de Monte em tornar aquela nave em um lar para Willow é, em si, uma das coisas mais lindas que eu já vi.

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