Loving ★★★★

Tem um momento no fim do primeiro ato de Loving em que Rich (Joel Edgerton) e Mildred (Ruth Negga) se despedem da família depois do juiz ordenar que eles saiam de Virginia que me pegou de surpresa. Mildred abraça a irmã, que desfaz o abraço e aponta pra Richard, culpando ele de afastar ela de sua família. Garnet (Terri Abney) está aos prantos, mas mais exausta do que furiosa.

Garnet se desculpa em uma cena posterior, mas aquele momento significa muito para Loving porque é um dos únicos momentos, em um filme onde muito das emoções ficam contidas em expressões corporais sutis de Edgerton e Negga, onde algum sentimento é explicitado. Garnet está exausta e frustrada da constante batalha por direitos básicos de existência. É algo que aparece em diferentes níveis na família de Mildred — o seu pai fica cada vez mais na cadeira da varanda; sua mãe fica cansada —, e que afeta ela e o marido de forma crescente no filme.

Loving não possui uma cena em que Rich ou Mildred podem expressar suas frustrações um com o outro. Edgerton e, em especial, Negga trabalham muito mais com a forma como o corpo deles cai no sofá ou os braços pesam quando se apoiam em algo. Os olhos de Mildred geralmente estão virados para cima, porque sua cabeça pende para baixo de tão exausta. É uma condição de vida injusta, e a sutileza na atuação do casal principal entrega exatamente o quão difícil é viver em um medo constante.

Jeff Nichols trabalha ao redor de seus dois atores principais de uma forma igualmente contida. Loving não possui cenas bombásticas de emoções à flor da pele porque seus sujeitos não são permitidos de se expressarem assim (é interessante ver como os advogados da ACLU são os que fazem os “grandes discursos” do filme — justamente para o casal). Nichols então acompanha Rich e Mildred com panorâmicas e travellings que permitem que seus corpos respirem o suficiente. Por exemplo, quando Mildred e Rich voltam para Virgínia depois de anos vivendo em Washigton, ele filma Negga de costas, com o ponto de vista de Rich. A câmera se mantém observando a personagem, até que percebemos que ela está rindo pela primeira vez desde quando viu seu filho pela primeira vez.

Loving não força a barra na exaustão de seus personagens, mas os demarca bem em momentos como esse, nos almoços em família, quando estão todos juntos; ou na emblemática foto do casal assistindo TV, Rich com a cabeça no colo de Mildred. Loving nos lembra que, embora a luta jurídica do casal seja muito maior do que eles mesmos, é por causa de momentos como esse que eles estão enfrentando tudo. Quando eles vencem, Mildred e Rich apoiam a cabeça um no outro e sorriem. É um gesto simples, e agora eles podem.

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