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  • The Grapes of Wrath

    The Grapes of Wrath

    ★★★★★

    John Ford, mestre máximo da encenação, da direção de atores, do plano objetivo, conciso, do texto límpido, talhado por uma sensibilidade poética árida, de sonoridade ressequida pelo sofrimento nômade e pela moral confusa: racista, imperialista, canalha dos infernos, poeta maldito, fadado à contradição e ao abismo, encarna a ascensão e a queda de um Império, mas também as fraturas, entresafras e entremundos com suas paisagens e personagens mundanos e infinitos. Com Hawks, os dois cineastas que melhor souberam assimilar a…

  • Day of Wrath

    Day of Wrath

    ★★★★★

    O horror sistemático, o horror estrutural, o horror como motor da organização social: "com quantos quilos de medo se faz uma tradição?" Aqui o horror não reside somente no retrato social, na encenação das torturas, nos encontros fortuitos e rituais de conveniência, como também na caracterização pesada de todo o espaço dramático, sobretudo dos deslocamentos, gestos e olhares. Todo peso da tradição é transposto para uma pavorosa mecânica corporal que leva o filme progressivamente para um clima e ambientação característicos…

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  • Good Time

    Good Time

    ★★★★

    Não é sempre que o acaso te reserva uma sequência na qual um filme joga luz sobre o outro. Primeiro, I Am Not Your Negro, onde Baldwin desnuda a precariedade emocional que serve de caução ao racismo norte-americano, expondo a insegurança, a ignorância e uma certa imaturidade caracteristicamente infantil, como fundamentos morais do american way of life (imagens de programas de TV estilo "reality show" servem de ilustração). Depois, Good Time, um thriller híbrido bem ao gosto da cinematografia contemporânea,…

  • Get Out

    Get Out

    ★★★★½

    This review may contain spoilers. I can handle the truth.

    O sexo é combustível do capitalismo, energia para queimar e mover, que assegura e aprofunda a relação de intimidade, violência e propriedade. Um estado construído sobre desenvolvimento técnico-econômico, violência expropriante e lascívia constituem as coordenadas de um fenômeno moderno e atemporal ("o cio nacional", como escreveu Nelson Rodrigues).

    A propriedade, o trabalho, a família, o estado, a ciência: entidades animadas por intenções luxuriantes e cruéis com relação aos corpos de que se apropria. Corpos portadores da carga nervosa de um…