Long Way Home ★★★½

Desde seus curtas e seu primeiro longa, o cinema de André Novais Oliveira já chamava atenção pela maneira como o diretor conseguia trazer um espectro, uma representação da vida real para a tela, sem querer reproduzi-la em sua complexidade, mas como se mirasse em sua mecânica. Tanto que fazia isso mesmo incluindo elementos de fantasia nos filmes e utilizava seus próprios pais, atores amadores e por isso pouco espontâneos, nos elencos destes filmes. O naturalismo nunca foi sua ambição, mas trazer uma atriz profissional para seu novo projeto modificou completamente – e para melhor – seu cinema. Grace Passô, com todo seu talento e, olha só, naturalidade, protagoniza Temporada e inclui novas camadas para esse olhar clínico do diretor para a vida comum. Há um ganho emocional inegável no novo longa, sobre uma mulher que troca de cidade para assumir um emprego público e precisa adaptar a tudo o que ganhou e tudo o que perdeu com essa mudança. Grace é uma atriz maravilhosa, intensa, cheia de inteligência gestual, que consegue se camuflar na pele de uma pessoa “do povo” com imensa facilidade. Essa transformação permite que o diretor exponha o humano entre os detalhes da vida comum, de uma história quase não-história, da simplicidade.