Space Jam: A New Legacy

Space Jam: A New Legacy ½

Começando pelo título, existe uma ideia de conflito geracional, algo natural para se provocar conflito e diversão, já que antes videogame era distração para o Basquete e agora é uma profissão, é a realidade da diversão profissional. Apesar disso quebrar a suspensão descrença para formular um fiapo dramático mais verossimilhante, esse conflito em si, da geração, é uma desculpa, como um amigo crítico disse, porque sem conflito há a passarela para o marketing HBO Max.

Mesmo que isso seja um argumento extra-filme e possa soar repetido em como o estúdio utiliza seu espaço para vender seu produto, o que realmente desarticula o filme é porque não parece contar uma história. Esse parecer é o grande problema, porque a aparência de um drama, do filho tentado por um algoritmo para jogar contra o pai, a clássica narrativa, são como uma bola de basquete quicando, só surgindo para demarcar o olhar do espectador. Não há um jogo, há um grande intervalo de propagandas com algumas poucas jogadas entre as referências e venda de streaming.

Quem sabe se o filme de fato se portasse como uma propaganda narrativa causasse ainda carisma de Lebron James e poderia ser uma venda da NBA bem jogada, em que o esporta contém seu drama de legado, como o próprio filme brinca com a piada do Michael Jordan. Mas o filme prefere indicar seus passos ruins autoconscientes de que o público é cético para acreditar em 2D e teletransporte para o mundo da Warner sem apresentar o hadware e super computadores antes de dar vida ao algoritmo. Implicitamente há o streaming HBO Max produzindo Space Jam, mas estranhamente ele é o vilão, assim como os personagens Looney Tunes tem o upgrade em 3D sem sentir uma felicidade com isso, praticamente perdendo a identidade, já que a graça do 2D é a imprevisibilidade e a suspensão de descrença incutida no traço.

O filme crê que a jogada principal é o robô do tempo e apela para Matrix como desmonte, a nostalgia dos anos 90, o mesmo tempo em que Lebron James não tem nostalgia, ele tem que superar para poder se divertir com os Looney Tunes sem o Gameboy. E junto a isso há a ausência de conflitos no filme com a solução de atalhos, sem regras, que não delimita o que é diversão e o que é trapacear. Não se tem noção disso, e é assim que o algoritmo, o vilão, pensa, e é legitimado com o discurso em meio a narrativa conquistada com um atalho deus ex machina.

Logo, a desarticulação se faz sozinha, nem precisa ser interpretada ou criticada. É só observar, como uma propaganda quer ser vista nos intervalos, sem compromisso com discursos de conflitos. Porque para vender você não questiona o espectador, você apenas alivia, encanta visualmente, e a Warner, nem digo o diretor, quer encantar com seu monopólio.

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