Bacurau ★★★★½

Sai da sessão de Bacurau extasiado. Como um filme conseguiu captar tão bem as nuances da sociedade brasileira pós eleição do atual presidente? A resposta está na sutileza de seu roteiro: olhando a história.

Não por acaso, o museu da cidade de Bacurau é palco principal do catártico ato final. Ali reside a história de um povo, suas raizes, a ancestralidade pautada no ato de resistir. Se aumentarmos a lupa pra própria sociedade nordestina, vítima de múltiplos arbítrios e genocidios, cometidos pelo Estado brasileiro em diversas épocas distintas de nossa história, a dimensão sobre a grandeza imagética do filme aumenta ainda mais.

Em dado momento, o tal ambiente é limpado, porém a responsável pede para que as paredes fiquem intactas. Paredes ensangüentadas. Marcas de um povo que luta, resiste e merece vencer.

São tantas debates que Bacurau consegue gerar que é difícil digeri-lo plenamente, mas nos tempos atuais, soa um filme redentor. Provoca uma sensação de revolta no mesmo modo que gera esperança. Esperança que reside hoje, mais do que nunca, na população.

Ao povo de Bacurau, as palmas. Ao povo brasileiro, a esperança.

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