Parasite ★★★★

A excelência aqui vem essencialmente do ritmo. As brincadeiras com gênero, o teor social, o ode à família, tudo isso é completamente funcional no filme pelo absurdo domínio do ritmo. É como um grande álbum de um artista pop simpático que além de sua capacidade de ser pegajoso também carrega inúmeras invenções, quebras de expectativa, pequenos detalhes que fazem a coisa soar imediatamente como obra prima. Colocando ao lado de Bacurau, dá pra pensar nas distintas dinâmicas do capitalismo contemporâneo, em suas diferenças entre um país rico e um país pobre. De um lado a desigualdade pretensamente civilizada, o patrimônio preservado, a desculpa do mérito, o mal estar metonimicamente no 'cheiro'; do outro lado a catástrofe sem mediação, o extermínio como politica, o desprezo sem disfarces. E, no mundo todo, estratégias de resistência, de improviso, de vingança. O cinema de 2019 parece pulsar diante dos conflitos abertos para a década que vem.