Babenco: Tell Me When I Die ★★★★½

"Como nasce um filme? Ele pode nascer numa sentença de morte..."

O cinema e a memória são amigos muito próximos. Talvez por isso seja tão forte ver um filme como Babenco ser construído a partir das perdas de alguém que viveu tanto tempo da "eternização" de imagens.

Não sei nem explicar o quão poderoso é acompanhar o choque entre essas cenas guardadas por ele na história e seus últimos dias. O contraste entre a eternização de uma carreira e a liquidez de uma vida prestes a acabar.

Mas posso dizer com todas as palavras que o resultado é uma aula de cinema em, no mínimo, dois âmbitos: na forma como o próprio Babenco articula os pensamentos acerca de sua carreira; e na forma como Barbara Paz cria um retrato absurdamente verdadeiro e emocionante sobre esse homem que fez um filme sobre a própria morte.

A forma como ela constrói essa relação entre profissional e pessoal é tão sensível que amplia o alcance de Babenco. É mais do que uma homenagem ou um documentário sobre a carreira dele; é uma viagem onírica pela membrana que envolve a vida, a morte, a memória e a despedida.