The Haunting of Bly Manor

The Haunting of Bly Manor ★★★★½

É válido avisar desde já que A Maldição da Mansão Bly, apesar de manter algumas características primordiais da antologia, é muito diferente de sua antecessora.

A Maldição da Residência Hill era um terrorzão. Uma série de fantasma que dava medo ao mesmo tempo que dialogava sobre como traumas atravessam o tempo. Já essa é, como o próprio Mike Flanagan falou na carta enviada a imprensa, uma história de amor. Uma romance gótico que se divide entre a tensão e a doçura.

Tem fantasmas e também fala sobre as maneiras como nossa mente lida com os traumas, porém isso nunca sobrepõe os outros temas que ocupam posições centrais. Não seria legal listar todos, mas amor, possessão (em todos os seus sentidos) e sacrifício são palavras que tomam conta do meu cérebro por enquanto.

Não é à toa que muita gente esteja classificando a série como drama. Por mais que isso seja parte dessa besteira de nomear qualquer coisa mais complexa como "novo terror", existe um fundo de verdade aí. Só não deixa - é sempre bom repetir - de ser uma obra de terror só porque emociona.

A Maldição da Mansão Bly tem muitas camadas que são descascadas em flashbacks muito bem posicionados, carregando o espectador pra uma história cuja a surpresa maior não reside em um plot twist. O grande segredo da série está no peso dos seus sentimentos e, acima de tudo, em como eles podem atravessar gerações assumindo a forma do ódio ou do amor. Dois sentimentos que, pro bem ou pro mal, andam de mãos dadas.

Tanto que o último episódio é quase uma versão gótica e bem construída de Um Amor pra Recordar.

Não vou dizer se acho essa história melhor ou pior do que a anterior, porque sinto que precisaria rever Residência Hill pra ser justo. Mas, mesmo assim, posso dizer que gostei muito da manipulação do tempo e da forma como os sentimentos se chocam aqui.

Não é uma série unidimensional. É uma série que sabe o que quer falar e se molda pra isso, chegando a apostar em uma construção dramática mais ampla. Uma construção emocional que, ao contrário da especificidade dos traumas familiares de Residência Hill, tem potencial pra atingir uma gama enorme de espectadores com seus conto de amor, posse e espíritos.