Judas and the Black Messiah

Judas and the Black Messiah ★★★★½

fiquei receosa quando anunciaram um filme biográfico sobre Fred Hampton, porque a História é e sempre foi desonesta com ele e com o Partido dos Panteras Negras — este frequentemente retratado apenas como um movimento que lutava por direitos civis e privado de seu caráter revolucionário enquanto um partido de vanguarda marxista-leninista-maoista.

receosa também porque os grandes estúdios têm adorado fazer filmes com protagonistas negros reduzindo-os somente a produto de representatividade, ao passo em que distorcem suas lutas reais para que sejam menos "incômodas" e mais "aceitáveis" dentro das regras desse sistema racista. inclusive, a crítica ao enfraquecimento de lutas sociais através do essencialismo, sem uma clareza ideológica e sem práxis revolucionária, já era feita pelo próprio Fred Hampton (como em seu icônico discurso "It's A Classe Struggle, Goddammit!").

e claro, nisso foi inevitável ter lembrado da decepção com Blackkklansman — no qual são pintados como heróis os mesmos porcos que sabotaram os movimentos negros estadunidenses pela COINTELPRO entre os anos 50 e 70, o programa do FBI que assassinou covardemente Fred Hampton e tantos outros.

felizmente, Judas And The Black Messiah me surpreendeu pela honestidade com os ideais, a memória e o legado de Hampton e do Partido dos Panteras Negras. e tem muitas coisas que eu queria dizer sobre o filme, mas não tenho emocional pra isso depois de ter passado duas horas chorando igual criança.

jamais conseguiram matar a revolução. Fred Hampton vive!