Midsommar ★½

“Midsommar: O Mal Não Espera a Noite” se encaixa na categoria de filmes que dividem a audiência, os que amam incondicionalmente e os que odeiam na mesma proporção, mas também que costumam ser idolatrado pelos os críticos. Explico: cheio de signos e um tanto hermético, o segundo longa de Ari Aster (muita atenção a essa mente doentia) precisa de tempo para ser digerido, e depois de muitas análises, alguns provavelmente verão mais de uma vez, encontram-se “easter eggs” que mesmo tardiamente servem como recompensa. Eu confesso que também gosto desse exercício de carregar o filme comigo após a sessão e refletir, mas em alguns casos a preguiça prevalece. Foi o caso.

A trama mesmo cheia de simbolismos exagera, e talvez essa seja a intenção, em amplificar as dores de sua personagem principal (uma vacilante Florence Pugh) enquanto tenta cumprir o que vendeu em seu material promocional (terror a luz do dia). A medida que avança e nos mostra muitas vezes de maneira explícita esse horror o filme perde o impacto da sugestão e se sustenta no bizarro. 

Se em “Hereditário”, longa de estreia do diretor, os sinais estavam também ocultos, embora a narrativa fosse bem mais palatável, em “Midsommar” nada é entregue ao espectador de mãos beijadas, é tudo no campo do subliminar, do onírico e amparado numa viagem lisérgica, uma espécie de masturbação megalômana com toques de pedantismo. 

Como o filme é muito autoral, insisto em compará-lo com a obra anterior de seu criador, e assim como em seu debute, Aster nos fisga pela onipresente trilha sonora e pelas belas e simétricas cenas. Os atores estão o tempo todo em posições bem demarcadas e cada novo take é quase uma pintura. E do ponto de vista estético, o filme é realmente impecável, mas toda a construção dos primeiros atos não compensam a bagunça que é o epílogo e a catártica cena final. A sensação é que faltam argumentos para o que se entrega, e mesmo cheio de pistas sobre as motivações dos personagens e os acontecimentos que os levaram até ali, não há um desenvolvimento que compense o que se vê. 

Claro que é papel do artista convidar seu espectador a reflexão e exigir um esforço intelectual para uma completa imersão, mas quando a bola não é dividida e o fio narrativo que nos conecta com sua obra é todo no campo da sugestão, e aqui seus persongens e as imagens dispostas na tela passam a impressão de que somos obrigados a engolir goela abaixo as ideias de sua cabeça, isso deixa de ser válido, e como nem sempre estamos dispostos a embarcar na loucura dos outros, o impacto se dilui.

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