Utopia, Distopia

Utopia, Distopia ★★★★

Utopia, Distopia, documentário de Jorge Bodanzky sobre a construção da UNB, mostra que Arquitetura é inerentemente política. Espaços e pessoas e suas interações são política. Hoje, muito se fala sobre gentrificação, direito à cidade, déficit (inexistente) habitacional e outras questões que são pauta da arquitetura e são política.
Claro que quando eu estava no curso faltava recorte. Digo “faltava” porque não tenho mais contato com a academia na área, então não sei como está hoje.
Na minha época de graduação, 2003-2009, com professores de formação modernista, se discutia muito classe, pouco raça, nada gênero. (Quando eu falava algo, era chata).
Mas ainda assim se pensava em uma formação humana, social, interativa, provocativa. O que a gente discutia sobre arte, moradia e espaço público era mais do que uma ementa em sala de aula. E era uma proposta que a classe média que quer apenas um diploma e uma profissão pra suas crias nunca foi capaz de apoiar.
Talvez por influência dessa formação, a utopia modernista ainda me emociona. Acho curioso que a nova extrema-direita se volte tanto contra a Antropologia como uma possível ameaça. As discussões políticas mais interessantes e engajadas de que participei ou presenciei foram na minha graduação em Arquitetura, e não agora no mestrado e doutorado em Antropologia.
“Eu, por exemplo, descobri que sou mais fotógrafo que arquiteto”, disse um dos entrevistados. Eventualmente quase todo mundo descobre que é mais alguma coisa que arquiteto. Inclusive eu já sabia disso cursando, e falei sobre isso no discurso de formatura. Mas o aprendizado fica.