Last Night in Soho

Last Night in Soho

É um filme inesperado de Edgar Wright, o que talvez explique porque pessoas de gosto impecável que conheço não gostaram dele. É curioso como mantém traços do estilo do diretor (a importância da música, a montagem expressiva, os "Texas switches" todos, a literacia fílmica) ao mesmo tempo que surpreende por ser, 1, um thriller psicológico, 2, um filme essencialmente feminino e, 3, um filme que acontece na relação que estabelece, não só consigo mesmo, mas também com o público, manipulando-o até colocá-lo numa desorientação semelhante à da protagonista. Aqui somos espectadores de uma espectadora, sonhadores de sonhos alheios, e os fantasmas dos anos 60 que a assombram são os mesmos que pairam quando vemos Stamp, Tushingham e Rigg, atores para sempre associados aos papéis que interpretaram na década. Através das suas visões do inferno, Wright fala-nos do Cinema enquanto "spectrum", a imagem que também é espectro, o passado que nos devolve o olhar quando nos vemos refletidos no espelho que ele nos dá. Admirável.

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