Rich in Love ½

Pelo menos aqui no Rio ainda dá para se divertir com pouco dinheiro. Primeira coisa, sabe pegar ônibus?
Pô, na teoria eu sei, normal né.

Ser rico no Brasil é bom para caralho, quem poderia imaginar? Se você for pobre, torça para cruzar com um simpático milionário tupiniquim, esses seres caridosos, cuja dádiva muda para melhor a vida de quem encontram, nem que seja por caminhos tortuosos — aliás, do pobre conta-se com a compreensão para servir de escada e de ajudante ao rico no processo de autoconhecimento à custa dos outros que ele precisa para amadurecer (tudo na base da cordialidade e de promessas, como não poderia deixar de ser). O jogo da troca de identidades e da manutenção de uma farsa é promissor, rendendo uma dinâmica bem característica de comédia romântica clássica, mas a falta de tato cinematográfico é gigantesca, de inspiração e domínio cênico num nível básico.

Por pior que seja o cine-algoritmo da Netflix, existem abismos da breguice estética e da mais absoluta falta de noção onde só o publicitário brasileiro é capaz de chegar. Fica ainda um destaque negativo especial à trilha-sonora praticamente onipresente durante o filme inteiro, indo da baladinha heterotop (com direito a show do Alok) ao comercial do Rio para gringo em questão de segundos — mistura que, portanto, equivale ao inferno.