The Future ★★★½

O conceito sempre me intrigou, não gostei muito da primeira vez que vi, mas o filme continuou na minha cabeça desde então, a lógica é mesmo a de um looping infernal.

Acho que a tela grande contribuiria para o formato meio instalação a que ele se pretende – assim como um pouco de álcool no sangue, tipo um filme de Jack Smith, chegar no clima co-performando-o.

Carrasco atinge um estatuto ao mesmo tempo muito específico – a música é do caralho – e muito universal. Os prédios no final me lembram alguns bairros de Berlim, a festa outras festas, quanto aos sonhos: melhor calar. Importante que os atores não sejam assim tão jovenzinhos para afastar a impressão de que a inocência vem da inexperiência.

A sensação é a de estar sóbrio numa festa com gente desconhecido, alguém te convidou para uma puta celebração e você ainda não conseguiu se enturmar. O que há de tão significativo? As pessoas estão mesmo felizes ou só muito doidas? Serão os eventos históricos assim tão cotidianos? Nossos antepassados falavam do futuro com tanta banalidade?

Um observador externo espreita a História e a julga anticlimática. A catarse provém da montagem, do punk que ele sobrepõe aos snapshots do passado e que serve para exorcizá-lo. Isso e as drogas, claro.

PS: a cena da amamentação though, a cena da amamentação.

PS.II: tem um beijão que não é beijinho de filme não, é aquele beijão de 4 horas da manhã, não tem muito beijo assim no cinema.

PS.III: alguma coisa me lembra “Deu pra ti, Anos 70”.