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  • Aus der Tiefe der Zeit

    Aus der Tiefe der Zeit

    ★★★½

    — “Ele é um personagem trágico. O mais triste entre todos nós”.

    Num filme de Dominik Graf, uma coisa leva a outra coisa, que leva a uma nova coisa, que leva a ainda mais uma nova outra coisa, e, assim que nos damos conta, algum porão da história alemã foi desenterrado no thriller policial que a TV exibe na noite de domingo. Adorei que o mistério foi solucionado por meio de pesquisa em arquivo e tradução de língua estrangeira —…

  • Am Abend aller Tage

    Am Abend aller Tage

    ★★★★½

    Graf + Henry James = match. Sei lá por onde começar, então só vou dizer que não lembro de outro filme tão direto quanto ao fato de que a preservação da arte depende de interesses absolutamente inescrutáveis, casos de família, disputas de ricos, arbitrariedades estatais e o trabalho de indiscutíveis cuzões.

  • Polizeiruf 110 : Smoke on the Water

    Polizeiruf 110 : Smoke on the Water

    ★★★★★

    Que coisa linda louca essa montagem jazzística, signo de liberdade e desconstrução. Cada filme do Graf soma-se ao anterior e ao seguinte no grande panorama da Alemanha que ele vai construindo alicerçado no cinema de gênero, no thriller policial. Sua história alternativa: onde jaz o teu país escondido? Cada obra é um fragmento enigmático e frenético e não uma tentativa de interpretação nacional totalizante. Suas questões-obsessões autorais: sobretudo, matérias de classe, gênero e encenação — dissimulações e performances sociais, jurídicas…

  • The Invisible Man

    The Invisible Man

    ★★★

    This review may contain spoilers. I can handle the truth.

    The Invisible Man me fez lembrar da passagem de Los Angeles Plays Itself em que o Thom Andersen discorre sobre a sistemática difamação de Hollywood contra o legado arquitetônico modernista californiano, cujas casas seriam frequentemente retratadas como residências de vilões cinematográficos — de forma que elas sugeririam o corrupto, o erótico, o degenerado, o depravado, etc.

    O mesmo ocorre no filme do Whannell, associando a arquitetura modernista às perversões subjacentes ao Vale do Silício, nomeadamente em relação à ausência de…

  • I Am Twenty
  • The Red Spectre

    The Red Spectre

    ★★★½

    Visto na versão para a TV de 2017 (89’). O corte do diretor (104’) foi exibido em Rotterdam no ano seguinte, mas infelizmente ainda não está por aí.

    Até pode ser uma bagunça do caralho, e é, mas, acima de tudo, trata-se de contrabando cinematográfico como pouco se vê hoje em dia. Quem se descreve como contrabandista é o próprio Dominik Graf, um conhecedor do seu ofício. Em Der rote Schatten, ele se utiliza de um dos programas mais populares…

  • The Red Cockatoo

    The Red Cockatoo

    ★★★½

    Então, em que momento as coisas começaram a dar merda? Dominik Graf retorna aos meses que antecederam a construção do Muro de Berlim para refletir. Der rote Kakadu é bem o que se espera de um filme sobre a Alemanha Oriental, sendo mais fundamentado em clichês (narrativos, discursivos, ideológicos) do que em iconografia, e talvez seja nesse sentido que ele melhor se contraponha ao Good Bye, Lenin! — o qual, nas palavras do Graf, encenava a RDA como um “teatro…

  • Your Best Years

    Your Best Years

    ★★★★½

    A filha do dono, herdeira e historiadora da arte, acorda para o mundo do business: sobre gênero e encenação.

  • Frau Bu lacht

    Frau Bu lacht

    ★★★★★

    Dominik Graf deve ser o mais próximo que o cinema ocidental ainda tem de um Johnnie To ou um Herman Yau — ou um Lang americano, sei lá — e, assim sendo, sintomático que a maior parte de sua obra tenha sido feita para a televisão.

  • The Coca-Cola Kid

    The Coca-Cola Kid

    ★★★★

    O Coca-Cola Kid nasceu para ser coach autograduado e vender curso online em um ecossistema socioemocional precarizado. Mas pelo menos tratava-se de um picareta charmoso, talvez porque o imperialismo cultural precisava ser sedutor em alguma medida, enquanto a algoritmização de tudo — equação antilibidinosa? — está menos interessada em criar desejos do que em calculá-los planilhando-os, esterilizá-los e satisfazê-los domesticando-os. Deveria haver uma cisma cinéfila a partir do quanto se é capaz de apreciar Eric Roberts.

  • Knittelfeld - Stadt ohne Geschichte

    Knittelfeld - Stadt ohne Geschichte

    ★★

    O Friedl até pode achar que está acessando alguma camada especialmente sombria da alma austríaca — o desnecessário close na suástica no cemitério deixa bem claro aonde ele quer chegar —, mas a pobre Knittelfeld não me parece pior do que um condomínio na Barra da Tijuca, seja na cotidianidade do mal ou na hipocrisia envernizada (que, diga-se, está em toda parte). O que denota sua escolha de trazer a suástica para o filme? Que forças ocultas estariam exercendo uma…

  • The Piano

    The Piano

    ★★★★

    — “I’m quite the town freak, which satisfies”.

    Da abjeção transformando-se em desejo sexual. Com o desprezo pela ordem estabelecida impulsionando-o entrementes.