Luiz has written 18 reviews for films during 2022.

  • Pigsty

    Pigsty

    ★★★★

    Em um díptico antropofágico — ora literal, ora simbolicamente —, personagens se dividem entre mais e menos poderosos — seja pela coerção física da força bruta, seja pela ideológica do dinheiro. Sem almejar primordialmente o escárnio dos vencedores (como Grosz), e muito menos a compaixão condescendente com os vencidos (como Brecht), Pasolini dirige seu olhar crítico para os indiferentes, que, ao adormecerem em um sono sem sonhos, silenciarem diante da barbárie e abdicarem da ação transformadora, consentem com a permanência…

  • Theorem

    Theorem

    ★★★★★

    O inevitável encontro com o acaso escancara o vazio constitutivo de todo sujeito. Ainda que se tente preenchê-lo com o prazer imediato, o próprio caráter momentâneo não permite sua duração. Tentar petrificar o instante, capturá-lo entre os dedos, pode mesmo impedir o reconhecimento e a constituição processual de uma identidade, aprisionando o corpo em um estado catatônico. Em uma primeira mediação, na religião, a necessária alteridade corre o risco da projeção na figura de um "grande outro", fixando significados dos…

  • Oedipus Rex

    Oedipus Rex

    ★★★★½

    Como filmar a hybris? Em vez de meramente dramatizar o texto de Sófocles, Pasolini se vale do poder do cinema para obrigar seu espectador, tal qual seu herói trágico, a experimentá-la. A câmera tremula, o sol invade o obturador sem pudores, a montagem desrespeita algumas convenções de continuidade, os agudos tomam conta da trilha. A experiência universal da desmedida é destacada desde o prólogo, que sugere sua atualidade: após o fascismo, seria a putrefação o destino inescapável de um país?…

  • Hawks and Sparrows

    Hawks and Sparrows

    ★★★½

    Tão poético na intenção quanto literal na realização: seja nos primórdios da Igreja Católica, seja no tempo presente (o do filme, mas também o nosso), a verdadeira comunidade cristã foi facilmente sobrepujada por um novo Deus, o dinheiro. As formas permanecem, adquirem novas roupagens (em outras palavras, atores e cenários são os mesmos, mudando apenas os figurinos) e assim mascaram seu conteúdo. Em vez da partilha do pão, aquilo que é cultural (as desigualdades sociais) justifica-se ideologicamente como natural (ora,…

  • The Gospel According to St. Matthew

    The Gospel According to St. Matthew

    ★★★★★

    Um Cristo anônimo, como anônimos são os peregrinos por cujos olhos a história se deixa testemunhar. Eles ocupam o lugar do espectador, entendido por Pasolini não como ente passivo, a quem as imagens servem como mera representação de dogmas, mas sobretudo como sujeito ativo, a quem cumpre persistir na tarefa universal de igualdade. Não à toa recebem destaque as crianças, para quem a realidade muitas vezes se indistingue da ficção, da possibilidade de outros mundos diante da força do passado e da imobilidade do presente. Em exercício hermenêutico, o texto bíblico se abre ao contemporâneo das revoluções sem abandonar sua literalidade: pura poesia das imagens.

  • La Rabbia

    La Rabbia

    Só vi a parte do Pasolini

  • La Ricotta

    La Ricotta

    ★★★★

    Construir, por meio de imagens, uma comunidade cristã implica abdicar as próprias imagens, ao menos como signos imóveis das hierarquias entre temas e sujeitos nobres e banais, entre o ver e o agir, como representações de uma realidade exterior. Em outras palavras, trata-se de, tal qual Fellini, adentrar o espetáculo para renunciá-lo enquanto denuncia sua hipocrisia e, tal qual Chaplin, reconfigurar a partilha do comum, dotando a imagem novamente da força do gesto (pathos), de um poder de apresentação sensível apartado da lógica da dominação cotidiana.

  • Mamma Roma

    Mamma Roma

    ★★★★½

    O corpo doente de Ettore é o corpo doente de um país em que, após o fascismo, não podem mais oferecer horizonte seguro os valores sociais transmitidos nos cuidados de uma matriarca (Mamma) e muito menos os projetos culturais e políticos advindos de um dos berços da civilização ocidental (Roma), onde as ruínas não se reorganizam senão sob o edifício da delinquência e da loucura. Tanto a literalidade dos diálogos quanto o magnetismo dos olhares (Anna Magnani é uma força da natureza) não deixam dúvidas: a morte — seja a de um indivíduo, seja a de um mundo — só pode assustar quem dela tem consciência.

  • Accattone

    Accattone

    ★★★½

    A morte, que aparenta apenas simbólica na sequência do sonho, cumpre sua promessa no desfecho: afinal, sem Accattone, a única identidade que o protagonista soube forjar, Vittorio não consegue sobreviver. Quando se torna "qualquer um" — e ele destaca, em conversa com Stella, a banalidade do seu nome —, dissipa-se no meio da multidão de anônimos miseráveis. O Estado identifica o delinquente (sabe encontrá-lo e puni-lo), mas desconhece o cidadão (não garante sua dignidade). Esta, quiçá, só possa ser restituída pelo cinema, pelo olhar solidário — mas jamais condescendente — da câmera de Pasolini.

  • The Godfather: Part III

    The Godfather: Part III

    Comentários em live com os colegas Marcelo Janot, Luiz Fernando Gallego e Maria Caú.

  • The Godfather: Part II

    The Godfather: Part II

    Comentários em live com os colegas Marcelo Janot, Luiz Fernando Gallego e Maria Caú.

  • The Offer

    The Offer

    ★★★

    Comentários em live com os colegas Marcelo Janot, Luiz Fernando Gallego e Maria Caú.