Luiz has written 44 reviews for films rated ★★★½ .

  • Hawks and Sparrows

    Hawks and Sparrows

    ★★★½

    Tão poético na intenção quanto literal na realização: seja nos primórdios da Igreja Católica, seja no tempo presente (o do filme, mas também o nosso), a verdadeira comunidade cristã foi facilmente sobrepujada por um novo Deus, o dinheiro. As formas permanecem, adquirem novas roupagens (em outras palavras, atores e cenários são os mesmos, mudando apenas os figurinos) e assim mascaram seu conteúdo. Em vez da partilha do pão, aquilo que é cultural (as desigualdades sociais) justifica-se ideologicamente como natural (ora,…

  • Accattone

    Accattone

    ★★★½

    A morte, que aparenta apenas simbólica na sequência do sonho, cumpre sua promessa no desfecho: afinal, sem Accattone, a única identidade que o protagonista soube forjar, Vittorio não consegue sobreviver. Quando se torna "qualquer um" — e ele destaca, em conversa com Stella, a banalidade do seu nome —, dissipa-se no meio da multidão de anônimos miseráveis. O Estado identifica o delinquente (sabe encontrá-lo e puni-lo), mas desconhece o cidadão (não garante sua dignidade). Esta, quiçá, só possa ser restituída pelo cinema, pelo olhar solidário — mas jamais condescendente — da câmera de Pasolini.

  • Bubba Ho-tep

    Bubba Ho-tep

    ★★★½

    Em ambas as possibilidades ficcionais, uma luta contra a morte simbólica, mais violenta que a corpórea: caso as personagens sejam realmente quem dizem ser, trata-se de restituir a sua subjetividade contra a mumificação da história (construção de ídolos); se, ao contrário, os idosos não mais que deliram, sua velhice se recusa a abdicar de sonhos e outros porvires geralmente reservados à juventude. Na verdade, essas duas dimensões não se distinguem, mas se conjugam na narração permeada por dúvidas de Presley / Haff, que, na estrutura do relato, transmite a sua lenda ao mesmo tempo que deixa transparecer ressentimentos e desejos de um homem comum.

  • The Night House

    The Night House

    ★★★½

    É preciso imaginar Sísifo feliz.

  • The Comforting Hand

    The Comforting Hand

    ★★★½

    Nada pode ser mais assustador que dancinhas tipo TikTok e papo sobre astrologia.

  • Hit the Road

    Hit the Road

    ★★★½

    Am I the only one noticing a gay subtext?

  • Madalena

    Madalena

    ★★★½

    Alguns teóricos e artistas do afrofuturismo traçam um rico paralelo entre a experiência da escravidão e o imaginário de abduções alienígenas: em ambos os casos, trata-se de um violento encontro, cujas marcas e traumas se verificam ao longo de gerações e de seus estigmas. Malgrado a especificidade histórica dessa analogia, a figura do extraterrestre enquanto um corpo não contado, subjugado pela opressão cotidiana, talvez se possa estender a outros grupos em diferentes contextos. No Brasil contemporâneo, como assinala a cartela…

  • El Planeta

    El Planeta

    ★★★½

    Enquanto Leonor, interpretada pela própria diretora, Amalia Ulman, aguarda na antessala de uma entrevista de emprego, duas candidatas conversam sobre o ensino infantil. Uma conta à outra a história de um colégio elitista, em que, embora frequentado por crianças pobres e ricas, tal informação jamais podia ser revelada a estas, cujos pais acreditavam pagar uma educação exclusiva. Assim, nos raros momentos em que os dois grupos se cruzavam no pátio, as professoras dos menos abastados fingiam pertencer a uma excursão.…

  • Social Hygiene

    Social Hygiene

    ★★★½

    Qual cumplicidade tácita poderiam partilhar, de um lado, o distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus e, de outro, o distanciamento simbólico agenciado pela dramaturgia? Essa estranha pergunta parece reincidir nos intervalos entre uma e outra longuíssima tomada de Higiene social (Hygiène sociale, 2021), novo filme do canadense Denis Côté (Antologia da cidade fantasma) que integra o catálogo online da atual edição da Mostra de São Paulo. Composta, basicamente, por um conjunto inferior a dez planos-sequência jamais decupados internamente,…

  • No Time to Die

    No Time to Die

    ★★★½

    The only thing scary about Rami Malek is how bad of an actor he is

  • The White Sheik

    The White Sheik

    ★★★½

    A indústria cultural como metaestrutura que freia a reinvenção do amor

  • Another Round

    Another Round

    ★★★½

    No final dos anos 1990, quando a câmera digital ainda passava longe dos padrões estilísticos da indústria cinematográfica, suas potencialidades se desvelavam nas mãos de um jovem dinamarquês. Com uma filmadora caseira na mão e uma premissa na cabeça, Thomas Vinterberg adentrou os aposentos da classe alta escandinava para expor sua hipocrisia, transformando em linguagem as “limitações” tecnológicas. Em vez de apesar de, justamente por causa dos ruídos em forma de pixel e da instabilidade de suas imagens, Festa de…