The Song of Songs

The Song of Songs

Mamoulian no Love Me Tonight surpreende por conseguir colocar o filme completamente em sua mão - ao contrário do que o par Chevalier + Jeanette Macdonald, dupla clássica Lubitschiana, poderia implicar. Seja em termos do uso dos atores (o Chevalier fica triste! acho que em nenhum filme do Lubitsch ele permite o Chevalier ser qualquer coisa que não um malandro, um apaixonado ou um egoísta), ou em termos formais mesmo, com a montagem do momento final do filme, algo que o Lubitsch nunca faria. Então me surpreendi em como esse é um filme refém da sombra do Sternberg. Talvez porque construir uma comédia de classes e de engano com aquele duo (ninguém sabe que o Chevalier é plebeu :D / ela não sabe que o Chevalier é plebeu D:) seja muito mais fácil do que ser o duo da Marlene Dietrich, que é justamente o que o Sternberg sempre foi.

O começo do filme é onde fica mais óbvio, em toda cena Mamoulian parece procurar o momento do close-up, sempre e apenas estudando o que fazer, como fazer. Ele não chega a tentar emular o Sternberg, mas parece sempre preocupado demais em acertar o mínimo que de fato pouco existe além. Ainda sim, a Dietrich tola e perdidamente apaixonada por ser musa, ser vista, ser arte como um todo, não é de se desperdiçar. A segunda metade do filme, na casa do Coronel, é um pouco mais livre, quase sugerindo o terror da domesticação - Dietrich novamente muito superior a qualquer coisa que o filme pode sugerir. Gosto mais do final, porém. Ali há uma energia verdadeira que remete à vida dos filmes de Sternberg, após todas as cartas serem postas à mesa.