Marcelo Miranda has written 108 reviews for films rated ★★★½ .

  • History of the Civil War

    History of the Civil War

    ★★★½

    Retomado agora depois de um século perdido, esse filme do Vertov é um experimento interessantíssimo. Não é propriamente um filme de propaganda, ainda que tenha sido feito por encomenda do governo, nem tensiona a nascente linguagem do cinema, como o próprio Vertov faria anos depois, e nem foi feito com ambições que não fossem a de cumprir o trabalho. É, na prática, um filme-relatório, reunindo diversos fragmentos da guerra civil na Rússia. Compõe um mosaico de situações devidamente documentadas por…

  • We Own This City

    We Own This City

    ★★★½

    Papeei sobre a série no Cinemático Podcast, por enquanto exclusivo para assinantes. Ouça ou assine: www.cinematico.com.br

    (Dia 17/6/22 estará liberado a todos.)

  • Dark Glasses

    Dark Glasses

    ★★★½

    A iconografia do giallo e a obsessão do diretor com o olhar encontra o onirismo de "O mensageiro do diabo" do Charles Laughton. Longe dos momentos mais brilhantes da carreira do Argento (certamente um dos três maiores cineastas italianos vivos), ao mesmo tempo é puro prazer visual e estético; um intenso "mcguffin" narrativo que permite delírios e deleites a cada instante. Especialmente a primeira metade é de tirar o fôlego, mas todo o ato final tem um absurdismo delicioso e…

  • The Ambulance

    The Ambulance

    ★★★½

    A energia contagiante desse suspense sarcástico do grande Larry Cohen mantém o filme em ritmo constante de empolgação, com um Eric Roberts à vontade num personagem improvável e um enredo cuja maior ambição é se permitir absurdo e delirante, quase um pesadelo ora cômico, ora assustador filmado com naturalidade. Cohen tinha essa vocação de fazer das tramas mais "lado B" pequenos estudos da urbanidade e da imaginação, sempre captando a cidade como esse espaço de devaneios e perigos onipresentes que…

  • Death Wish II

    Death Wish II

    ★★★½

    Algo fascinante nos primeiros filmes da franquia "Desejo de Matar" (que, sempre bom lembrar, não nasceu pra ser franquia; tornou-se uma depois que a produtora Cannon, nos anos 1980, adquiriu os direitos de fazer sequências do original de 1974) é o caráter ordinário do protagonista, seu banal e cotidiano estar no mundo. Paul Kersey é um arquiteto, sujeito de classe média alta cujos infortúnios com a criminalidade o tornam um assassino calculista. A história vista e revista tantas vezes antes…

  • The Last Boy Scout

    The Last Boy Scout

    ★★★½

    Um neonoir meio vagabundo, meio exploitation com grande orçamento e muita diversão, numa fase em que Tony Scott se imiscuiu no imaginário pop depois de Top Gun e fez um monte de filmes emblemáticos antes de mergulhar num experimentalismo de ação até hoje em vias de ser mais compreendido (e cada vez mais fascinante). Aqui tudo é direto e concreto, Bruce Willis em grande forma e sequências incríveis de correria que transitam bem na comédia. O desfecho é grandioso, e a trama confusa faz pouca diferença, ainda mais se pensarmos na treta que foram os bastidores do filme.

  • 13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi

    13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi

    ★★★½

    Michael Bay em chave mais "séria", um cineasta numa missão, injetando adrenalina e desespero na reconstituição de um caso real envolvendo militares americanos na Líbia. Obviamente que se trata de um filme próximo da propaganda, em especial um elogio explícito à suposta bravura dos agentes da Cia retratados aqui; esperar que o filme não seja isso é não compreendê-lo e, consequentemente, não apreciar o que ele tem de bom. Bay jamais escondeu em seus filmes a predileção e respeito pelas…

  • Adeus, Capitão

    Adeus, Capitão

    ★★★½

    Um filme de luto de quase três horas de duração: luto pelo amigo, pela figura simbólica, pelas comunidades indígenas, pelo fim das tradições, pela melancolia provocada no atropelo do tempo e no impacto do genocídio. Se em "Martírio" Carelli narrava a epopeia trágica de todo um povo através dos séculos, em "Adeus, Capitão", como o título já indica, o olhar é mais intimista, mais personalista, disparado pela partida de um antigo companheiro de Carelli de tantas imersões na cultura indígena.…

  • Tekoha

    Tekoha

    ★★★½

    Muito bom ver Carlos Adriano, um dos grandes cineastas brasileiros em atividade, usar de seus talentos no trato com sons e imagens em situações de urgência política, social e humanitária. Aqui ele manipula takes de um ataque contra uma comunidade indígena e, tal como Harun Farocki, permite formas variadas de impacto daquilo que as câmeras captaram. Não é tão brilhante quanto sua série "sem título", mas Adriano segue entregando pancadas.

    *Visto no É Tudo Verdade 2022.

  • Turning Red

    Turning Red

    ★★★½

    This review may contain spoilers. I can handle the truth.

    A Pixar fez um filme de família no qual a mãe é a grande vilã (monstruosa, inclusive) e isso é um feito e tanto num cenário anódino e corretinho em que Hollywood está. As alegorias e metáforas são precisas, com diversão e melancolia se equilibrando de um jeito bem singular. A animação em si me pareceu esquisita, algo estranho nos movimentos, talvez, ou a percepção de alguma preguiça visual na elaboração de cenários de fundo, mas o desenvolvimento geral da narrativa e especialmente os últimos 20 minutos fazem desse um dos melhores trabalhos do estúdio nos últimos anos.

  • The Batman

    The Batman

    ★★★½

    Pegando o bastão de uma trilogia incensada pra além de suas qualidades reais (a fase Nolan) e de sucessivas tentativas fracassadas de inserir o personagem numa mitologia maior (a fase Snyder), o novo filme com Batman coloca o pé no freio e se desenvolve como uma aventurona pseudo-noir cujo grande mérito, a meu ver, é hipnotizar a atenção com lances relativamente simplórios apresentados numa casca lindamente boa de se ver (ironicamente já não era assim em alguns noir clássicos?). Matt…

  • Paper Moon

    Paper Moon

    ★★★½

    Delícia de road movie no qual a típica visão do Bogdanovich para o passado da América se reforça atravessada por um misto de encanto e melancolia. Tudo é bastante triste na base dos acontecimentos, mas é sempre regado ao humor bem dosado e lúdico, que faz com que as desventuras dos personagens em meio à Depressão e à falta de perspectivas se acumule de momentos de epifanias. A garotinha vivida por Tatum O'Neal segue um achado de personagem, a criança…