Black Panther ★★★★

A lot has been said about Black Panther when it was released. In fact, a lot has been said even before the movie hit the theaters. And with good reason: it is the first time Marvel made a real effort in diversifying their characters and, more importantly, gave one real push in Hollywood’s weak cultural representation. Obviously there was room for Marvel to fail miserably and still end without a movie that represented african culture as it was supposed to, such as their lack of movies about their female characters.

Notably enough, not only they did not failed their main purpose as they also managed to go even further in their second issue. Even though I liked T’Challa and what he represents, he and his Black Panther were the last thing on my mind during the movie. Because if there’s something they told us right from the very first second is how weak he would be without his female support. If not for his younger sister, Shuri, he would be easily subdued for not having all the gadgets and technical upgrades in his equipment. Nakia could also be reduced to his love interest but she’s way more than that. She’s the one that left her homeland to not only help the ones in need but making sure she would also leave her mark in the world. And if she only managed to help one person, that would be worth it. And lastly, the character that, in my opinion, defined the whole movie, Okoye. She was the one to fear, the one that gathered all the power she had to defy the gender roles society has imposed in all women, no one can stop her. She has her ideals and goals and nothing nor no one can interfere with them.

And all of them, even T’Challa’s mom, have more presence and value than Black Panther had in his whole movie.

However, I cannot follow the bandwagon regarding the villain. It is a good villain, but it’s Marvel’s typical villain, thirsty for power and nothing more. The big difference is his background and what makes him be the way he is, but in all truthness, his actions are exactly the same as the first villain ever in MCU. However, I didn’t thought he was a bad villain, on the contrary. But I was way more impressed in the focus they had empowering their female characters than in the clash between T’Challa and Killmonger.

And even if I could find some social and political critique about the global atmosphere surrounding race, I don’t think they achieve much with that. They acknowledge the fact that it exists but didn’t go further on the issue, always focusing on one person and not on a global scale.

Regardless, this is absolutely the right step for Hollywood and an even greater step to give the viewer a well balanced cultural representation of the world for what it is. And besides that, it’s a good movie!

=== PORTUGUESE =========

Muita tinta escorreu aquando da saída de Black Panther nos cinemas. Aliás, já muito tinha sido dito sobre o filme e ainda nem sequer havia estreado. E percebe-se o porquê: é a primeira vez que a Marvel fazia um esforço claro na diversificação do seu leque de heróis e, mais importante, dava um passo certo, ou assim parecia ser, na diversidade de representação cultural que tanto anda em falta em Hollywood. Obviamente que ainda havia espaço para falhar redondamente e continuavam sem um produto cinematográfico representativo da cultura africana, tal como continuam sem representação feminina a solo.

Curiosamente, não só não falharam no seu primeiro objectivo como também conseguiram dar outro passo a resolver o segundo. Porque por mais que tenha gostado de T'Challa e daquilo que ele representa, ele e o seu Black Panther são a última coisa que interessam para o filme. É que se há coisa que desde cedo nos fazem ver é o quão inútil ele seria sem todo o suporte feminino que tem. Por um lado, poderia ser facilmente derrubado por uma arma não fosse a sua irmã mais nova, Shuri, lhe ceder toda uma panóplia de gadgets e melhorias no seu equipamento que o ajudam a ser a figura de poder que ele é. Também Nakia podia ser apenas o interesse amoroso de T’Challa mas felizmente não se resume a nisso. Ela é quem sai da sua terra natal à procura de fazer a diferença no mundo, a ajudar os mais necessitados e a garantir que por pouco impacto que tenha no panorama global, se ajudar uma pessoa já valeu a pena. E por fim, a personagem que, a meu ver, define todo o filme, Okoye, o culminar do poderio feminino e em como ser mulher e aquilo que a sociedade dita como sendo o seu papel em nada a limita. Ela tem os seus ideais e objectivos e nada nem ninguém pode ou consegue interferir com eles.

E todas elas, sem excepção, incluindo a própria mãe de T’Challa, têm mais presença e importância do que alguma vez Black Panther teve no seu próprio filme.

No que diz respeito ao restante elenco, e mais especificamente o vilão, Killmonger, muito sinceramente não entendo o fascínio. É um bom vilão, mas é o vilão típico da Marvel, sedento de poder e pouco mais. A grande diferença é o seu background e aquilo que o leva a ser como é, mas na realidade os actos que assume no filme em nada fogem ao que já estamos habituados a ver. Seja como for, não o achei um mau vilão, bem pelo contrário. Mas surpreendeu-me mais a forte ênfase no fortalecimento das figuras femininas e na presença que têm durante todo o filme do que propriamente o típico embate das duas figuras que dão mote à história.

E ainda que possa encontrar alguma crítica social e política à situação actual que se vive a uma escala global, acho que também pouco consegue fazer com isso. É uma problemática que existe, está entre nós, e pouco mais é aprofundado, havendo apenas breves referências às disparidades sociais mas sem nunca aprofundarem demasiado e sendo tudo demasiado focado no singular.

Porém, este é sem dúvida um passo não só na direcção certa para Hollywood como um passo necessário para a representação equilibrada e fundamental de todas as diferenças culturais que fazem do nosso mundo aquilo que ele é. E além disso, é um bom filme!