Love, Simon ★★★★½

It’s impossible to describe how it feels to know from a very young age you’re different but you can’t quite put your finger in it. Later in life, those turbulent feelings turn into something close to certainty but they’re clouded with shame and a need to belong to something it doesn’t feel quite right, to what society dictates’ normal. When we finally accept we don’t fit in what is “normal”, the guilt and secrets start to consume us from inside out and it’s in that decisive moment where many break down their walls and, despite the consequences, accept themselves and to others who they really are or go down a path that could turn into something that could mean the end for many of them.

Still, how can you make someone understand what it feels like to go through this pain and suffering, never knowing if some less thought out gesture or some word could make our deepest fears turn into reality?

Love, Simon is not the rule nor the exception when it comes to situations like these. It’s just one of the many paths teenagers can go through when they’re in the same shoes as Simon and how do they become true to themselves. Simon, which is a couple of months away of moving out to college, finds himself in a crossroad between the opportunity of living something real and being completely free to live his life when there’s no one he knows can judge him for being himself. Not that he has something to lose, if there’s a family that would completely accept him would be his family, but there’s no guarantee of that, that everything will be alright and there’s no risk in exposing himself in this familiar environment. After all, we just want to be accepted for who we are and not for a someone our parents idealized for us. It’s when we shatter those ideals that conflict may occur, when we least expect it.

Anyway, there’s much to discover in Love, Simon! Some of those things are the ones that turn this movie into the cinematographical achievement it already is, others turn it into something that could even be better. We could say that there’s many movies that reflects the good and the bad of someone coming out or living in a LGBT environment, however, a Hollywood movie with a gay main character, there’s few to none. Usually, the gay characters are just an “experience” for the main character, while they find their true love in the opposite gender, or they’re used as a comic relief, just so all the heterossexual drama can be bearable and still relatable in the tsunami that is Hollywood in these type of movies. And with a LGBT movie getting this much attention, surely there would be someone against an heterossexual actor portraying a gay teenager, and obviously this doesn’t make sense since we all know very well an actors’ job is to portray what he is in real life… If the irony wasn’t clear in what I’ve wrote, please, let me clarify my intention, I was being ironic!

Signs of the time apart, I was pretty happy and satisfied that we finally have a good movie, with a great story, good actors and well produced, that squeezed my heart from beginning to end. I could perfectly follow Simon’s journey and when he finally let his defenses down, I too felt a weight off of my shoulders. And I could finally perfectly put myself in a character’s shoes and not only trying to imagine how it would feel to be someone else that doesn’t have something in common with me. This is something I thought I would never see. And the more I think about Love, Simon, the more I love this movie and I understand what they really mean for Hollywood’s cinematographic scene, and worldwide too, specially coming from a major studio and not a indie one, as usual.

=== PORTUGUESE =========

É impossível descrever como é viver desde tenra idade e perceber que há algo diferente connosco e não sabemos exactamente o quê. Mais tarde, esse sentimento de dúvida começa a criar contornos semelhantes ao de certeza mas é camuflado por uma certa vergonha e vontade de pertencer à norma que nos é directamente e indirectamente imposta. Quando finalmente aceitamos que a norma não é aquilo onde nos inserimos, a culpa e o segredo começam a consumir-nos por dentro e é nesse momento decisivo em que muitos cedem e assumem perante eles próprios e o mundo quem realmente são, independentemente das consequências que daí possam surgir, ou recorrem a outras alternativas que por vezes podem levar a decisões mais finitas do que o esperado.

Ainda assim, como é que se faz perceber a quem não passa por isto, a dor e o sofrimento que é durante anos viver consumido pelo medo desenfreado de qualquer gesto menos calculado ou alguma palavra menos pensada possa deitar tudo a perder?

Love, Simon não é a regra nem a excepção no que diz respeito a situações destas. É apenas um dos inúmeros caminhos que um adolescente pode seguir quando se vê nesta mesma situação e como é que vai encontrar forma de ser autêntico consigo mesmo. Simon, que caminha para o início da sua vida académica, vê-se numa encruzilhada onde a oportunidade de viver algo real se mistura com a sensação libertadora que é estar sozinho noutro sítio dali a uns meses onde poderá viver a sua vida de forma aberta e sem ter de esconder nada. Não que ele tenha alguma coisa a perder, se há situação familiar ideal para alguém se assumir, a dele é certamente uma delas, mas nada disso é garantia que ele seja aceite, que tudo vá correr bem e não invalida de forma alguma o medo que ele, e tantos outros como ele, possam sentir ao se expor desta forma. Afinal de contas, só queremos ser aceites, tal como somos e não perante um ideal que alguém desenhou para nós na sua cabeça. E é o quebrar com essa ideia preconcebida que pode criar algum conflito onde menos se espera.

Seja como for, há muito a descobrir em Love, Simon! Algumas delas tornam este filme no marco cinematográfico que ele já é e outras que poderiam fazer dele algo ainda melhor, mas têm o efeito contrário. E podemos dizer que existem inúmeros filmes que tanto retratam o bom quanto o mau quando alguém se assume ou das vivências num ambiente LGBT, contudo, um filme de Hollywood que tenha como personagem principal um jovem gay, são poucos ou nenhuns. Por norma, os gays são resumidos a “experiências” que algum outro personagem tem, a caminho da relação duradoura com o sexo oposto, ou o parceiro de compras, ou ainda alguém que só existe como comic relief, para mandar algumas piadas no meio do drama que é a vida heterossexual que inunda a oferta cinematográfica de Hollywood. Certamente que um filme LGBT com a exposição mediática que este está a ter não ia ficar livre dos defensores sociais que acham errado um actor heterossexual interpretar um personagem gay, porque como todos bem sabemos o papel de um actor é interpretar aquilo que ele já é na vida real… Se a ironia não estiver bem presente no que acabei de escrever, que aqui fique explícito que estava a ser irónico!

Sinais do tempo em que vivemos às parte, fico feliz e bastante satisfeito por termos finalmente direito a um bom filme, com uma boa história, com bons actores e bem desenvolvido, que me deu um nó na garganta do início ao fim, onde me deixou cair todas as defesas ao mesmo tempo que Simon as ia derrubando. Finalmente consegui rever-me por completo num personagem e não tive de imaginar como seria ao colocar-me na pele de alguém que pouco ou nada teria a ver comigo. E isto é algo que pensei ainda faltar um bom tempo até ser verdade. E quanto mais penso em Love, Simon, melhor ele me soa e melhor percebo o que realmente filmes como este interessam para o panorama cinematográfico de Hollywood, e internacional, principalmente por ser produzido por um grande estúdio e não uma produtora independente, como é hábito.