Ready Player One ★★★★

Some years ago, a friend of mine encouraged me to read a book I knew nothing about, just that it was full of 80’s references and it was almost impossible not to read the whole book in one sitting. The truth is, Ready Player One is way more than that!

While I was reading it, there were talks about a movie, and rumours attached Ellen Page and Jeff Bridges to this project. So, as you can imagine, it was a long wait, more than six years, until Ernest Cline’s book, who also wrote the movie script, made it to the big screen. But was it worth the wait?

From someone who had high expectations, I can say it was worth every second! We are drown in references and it’s almost impossible to catch everything in just one viewing, it’s a movie that certainly gains with future viewings. And this is something few directors could achieve. Steven Spielberg’s name alone is more than enough to gather whatever it was needed from movies, videogames, toy and, music and many others that accepted to be “used” in a movie that has nothing to do with what their brand is. They obviously profited from it, but beside that, it was Spielberg’s name that gave the necessary boost so brands accepted to be part of this project.

Apart from that, the story has the perfect balance between what comes directly from the book and what was made from scratch. Even if I would like to watch an exact copy of what I’ve read, it’s also good to watch a movie and be surprised by it, as long as it doesn’t look out of place.

However, some changes made the movie have less weight. It’s not necessarily a change but more an absence that could make Ready Player One world richer and support more clearly the character’s actions throughout the movie. One of the things we soon understand by reading the book is how important is the OASIS for society, and why is so important to protect it. It’s not only to preserve its creator memory or to protect something the users hold close to their hearts. It’s about protecting what is almost a substitute of the real world, a new world. It’s not only an escape of reality, but a new reality that affects those who look for entertainment as well every aspects of our society, from our education system to the global economy. In the movie, even if they lightly mention it, we never get the idea that OASIS is more than just a game, something that will deeply impact everyone if it’s shut down. It’s nothing new to see big companies trying to profit from videogames, even if they hurt them, and that’s not the only thing that drives Sorrento, the villain that leads the second biggest company in the United States and that after he gains control of the OASIS will be the first one. I mean, he doesn’t want to control a videogame, that’s reductive.

Against him there’s Parzival, Art3mis, Aech, Daito and Shoto, lead by the first ones known in the real word as Wade Watts and Samantha Cook, and they’re the ones that quickly become engaged with Sorrento. They will lead the hunt for all the secrets OASIS’ creator hid in this world and will withstand Sorrento as well, not only in the virtual world but in the real one as well.

And there’s not much that surprise us in here, especially to those who already read the book, the narrative is the same and only a couple of things were changed, not in purpose but in content. It’s also a pretty linear story and the movie manages to take away some surprises, since these things the movie ignored could ruin its mood but they needed to be build up to make sense in the universe they’ve created in the movie.

Fortunately, these changes doesn’t ruin the movie, only prevent it to be even better than it already is! The actors are great, the special effects are stunning, the action is very well captured (and it could easily be a mess) and the soundtrack is amazing. In the end all this makes Ready Player One a well rounded movie that has something to please every single viewer!

=== PORTUGUESE =========

Há uns anos, por incentivo de um amigo, cruzei-me com um livro que pouco ou nada sabia além de ter referências a tudo o que diz respeito aos anos 80 e por ser praticamente impossível não devorar o livro de uma só assentada. A verdade, é que Ready Player One é tudo isso e muito mais!

Já na altura se falava de um filme ser realidade, havendo rumores que Ellen Page e Jeff Bridges poderiam estar associados ao projecto. Portanto, foi uma longa espera até que o livro de Ernest Cline, que também escreveu o argumento, chegasse ao grande ecrã, mais de seis anos. Será que a espera valeu a pena?

Para quem tinha altas expectativas, posso dizer que cada segundo valeu a pena! As referências afogam-nos por completo e é impossível conseguir apanhar tudo apenas numa só visualização, é um filme que certamente ganha em futuras visualizações. Este é também um feito que poucos realizadores no mundo iam conseguir alcançar. Steven Spielberg é sem dúvida o nome que mais facilmente ia conseguir que vários nomes ligados ao cinema, videojogos, brinquedos, música, entre tantos outros aceitassem ser “usados” num filme que em nada está ligado aquilo que inicialmente foram criados. Obviamente que também devem ter lucrado com isso, mas por mais lucro que possam ter, é o nome de Spielberg que deu a confiança necessária para todas as marcas aceitarem fazer parte deste projecto.

Além disso, a história tem o equilíbrio perfeito entre aquilo que vem directamente do livro e aquilo que foi feito do zero. Por muito que gostasse de ver uma cópia exacta daquilo que li, também é bom entrar num filme e saber que vou ser surpreendido em alguns momentos, sem que isso pareça deslocado do material original.

Contudo, há algumas mudanças que a meu ver fazem o filme ter menos impacto. Ou melhor, não é tanto uma alteração mas mais uma ausência de informação que poderia tornar o mundo de Ready Player One mais rico e dar um peso maior às acções que os personagens estão a ter durante o filme. Uma das coisas que percebemos desde cedo no livro é a importância que o OASIS tem para a sociedade, e o porquê de ser tão importante ser protegido. Não se trata apenas de preservar a memória do criador nem algo que é acarinhado pelo público. Trata-se de proteger aquilo que, para todos os envolvidos, é o novo mundo, uma quase substituição do mundo real. Não é apenas um escape à realidade, mas sim uma nova realidade que afecta não só quem nele se vai divertir mas que tem um impacto social que afecta tudo desde a educação até à economia global. No filme, ainda que seja mencionado a componente educativa assim muito de raspão, nunca ficamos com a ideia de que aquilo não é apenas um jogo, algo que quando desligado não vai ter grande efeito no dia-a-dia da sociedade. Porque grandes empresas a quererem lucrar com videojogos é já o pão nosso de cada dia, e não é apenas com isso que Sorrento, o vilão que comanda a segunda maior empresa dos Estados Unidos e que após ganhar controlo do OASIS pretende ser a primeira, está preocupado. Isto é, ele não quer apenas controlar um videojogo.

Contra ele vai ter Parzival, Art3mis, Aech, Daito e Shoto, encabeçados pelos dois primeiros, conhecidos no mundo real como Wade Watts e Samantha Cook, e aqueles que mais rapidamente se vêem envolvidos directamente com Sorrento. Eles vão liderar não só a caça aos segredos que o criador do OASIS deixou escondidos como também fazer frente às demais investidas que Sorrento tanto faz no mundo virtual como no real. Em risco está o controlo total do OASIS.

E aqui pouco ou nada há que surpreenda, principalmente para quem já leu o livro, a linha narrativa é a mesma é apenas alguns acontecimentos diferem, não no propósito mas no conteúdo. Também é uma história linear e que o filme até retira alguma das surpresas, principalmente por estas poderem deitar abaixo todo o ambiente do filme mas também por não terem sido exploradas para que fizessem sentido no universo criado no filme.

Felizmente, não são estas alterações que arruínam o filme, só o impedem de ser ainda melhor do que já é! Porque os actores estão bem, os efeitos especiais são incríveis, a acção muito bem filmada (e ela facilmente podia ter sido uma confusão descomunal), a banda sonora é incrível e no final tudo isto faz de Ready Player One um filme que tem tudo para encher as medidas do espectador. Seja ele qual for!