Tomb Raider ★★★

We lose count of the comparisons made between a movie and a game every time a new adaptation is released. As well as the worries about it. Will we have a good adaptation this time? Will they chose good actors? Will they be able to replicate the story?

However, we already have the answers to these questions. There’s at least one good movie based on a videogame, Silent Hill. The problem is, when there’s a good movie, there’s not much to talk about and no one watches it. The casting will never be who we want it to be, and rightfully. The fans, and the general audience, have a tendency to exaggerate and not being able to think globally, they’re biased when they think of someone to give life to their favorite character. Which brings us to the last question, the story adaptation. The last thing we want from a movie based on a videogame is an exact copy of the game itself, since the game already does a great job on being a great movie (or even better than most). Nowadays, the studios, smaller or bigger, work to give the player an experience close to the one of watching a movie but where you control the characters. One of those games is the new Tomb Raider saga.

Long gone are the days of a overly “curvylicious” Lara with one lines ready to make every player smile. It worked for the first decade and, in my humble opinion, it worked very well in two movies. But more than ten years ago, they thought, and well, it was time for a makeover, for a second time, and things once again started looking good for Lara. Still, this is not an adaptation of that refresh. Five years ago there was another change, and that’s the one we’ve got to watch in this movie. If you’re confused, don’t be, Tomb Raider has been around us for more than 20 years, these changes are not only normal but necessary! But in this last revision Lara is a young lady, fresh out of college, eager to follow her father footsteps. But with no real experience about what it takes to uncover secrets long forgotten, ends up shipwrecked in Yamatai island with a couple of her friends and colleagues and will be tested, physical and psychologically. While she tries to save herself, she fights for survival against nature and supernatural forces and still try to save as many teammates as possible.

I will leave uncovered what happened there, since it will completely define what Lara turns out to be and what we already saw in the sequel. But what happens in the movie lightly follows what was told in the game. Which brings us again to the third question. Do we really want to watch the videogame story completely replicated on a movie? Is it even possible to do that? Honestly, I doubt that would be interesting or even possible to achieve a exact copy in the big screen.

The best option is the one we’ve got, where the main plot line is the same with some changes that allows the viewer to empathize with Lara. The story behind Yamatai is simplified, which is understandable if we think about the length of a videogame versus a movie. However, the explanation they’ve found to tell us what’s really happening on the island is way more plausible than the one they opted in the game. I always thought that the new Tomb Raider games should have a Lara more focused on having a scientific explanation about these strange happenings than accepting everything as supernatural. In previous titles that worked, but the Lara we knew was far from the young adult figure she is today, trying to find herself and going through events that the players could easily imagine themselves and test our limits. It’s not about making that 30 feet high jump, pushing blocks or find some hidden key. But this is not the place to have this discussion. The movie also manage to prepare the viewer for what’s to come, while the game wasn’t able to do that. Only on the sequel the game introduced us to Trinity, a secret organization that seemed to stumble on Lara’s path from nowhere. This is one of the advantages of the movie being produced after the second game’s release.

However, not everything is good in the movie. They have the key moments from the game, Alicia Vikander’s Lara is amazing, the cgi and action were good and overall is a pretty entertaining movie (the trailer left me somewhat worried, but thankfully I had no reason to).

But the first 15 to 20 minutes of the movie are way too awkward to be taken seriously. I was dying for it to stop so I could stop feeling this secondhand embarrassment. I also felt that Lara needed their colleagues and friends with her in this journey. They didn’t had to create a whole new backstory for her. She do have some friends in the movie, but they’re all in those first minutes I wish I could delete from my memory. The vilain didn’t do much either. I wasn’t expecting something too elaborated, since in the videogame he really doesn’t matter, it’s about Lara’s journey and how she became the strong female figure she is, and in the movie that’s not clear, there’s not a clear evolution. Maybe because there’s something missing that keeps pushing her despite everything she’s been put through. In the movie, her goal is powered by curiosity, in the game is survival. These are two distinct levels of intensity that define the whole mood of what we’re watching, and the movie suffers from not being able to have a greater impact on the viewer.

Besides that, it still manages to be a great entry in these grim adaptations, doomed right from the very beginning of production. This one, even if it’s not everything it could and should be, doesn’t make anyone ashamed with their final product.

=== PORTUGUESE =========

Sempre que uma adaptação de videojogos a cinema é lançada, as comparações são mais que muitas. Assim como as preocupações. Será que é desta que temos direito a um bom filme adaptado de um videojogo? Será que vão escolher bem os actores? Vão conseguir respeitar a história?

Contudo, a resposta a estas questões já as temos. Já existe pelo menos um bom filme adaptado de videojogos, o Silent Hill. O problema é quando há um bom filme a conversa às volta do mesmo é quase nula e ninguém o vai ver. Relativamente a actores, nunca vão ser o que nós mais queremos e ainda bem que assim o é. Os fãs, e público em geral, têm uma tendência a exagerar e não conseguir pensar num plano global e são demasiado tendenciosos nas suas escolhas pessoais. O que nos leva à última questão, a adaptação da história. A última coisa que se quer é um filme que é uma cópia de um videojogo que, por si só, já é um grande filme. Nos dias de hoje, os estúdios, sejam maiores ou mais pequenos, procuram dar ao jogador experiências intensas e bem próximas aquilo que se encontra no grande ecrã e, na maior parte das vezes, conseguem fazê-lo e até superar muitos dos filmes que se consideram blockbusters. Um desses casos mais recentes é a nova saga de Tomb Raider.

Longe vão os tempos da Lara exageradamente curvilínea e cheia de one liners que deixam o jogador de sorriso de orelha a orelha. Funcionou durante uma década e, na minha modesta opinião, funcionou bastante bem em dois filmes. Mas há mais de dez anos atrás, foi necessário revitalizar a saga, por uma segunda vez e as coisas voltaram a entrar nos eixos. Ainda assim, esta não é uma adaptação dessa nova etapa de Lara Croft. Há cinco anos houve uma nova mudança e é essa a que temos direito neste filme. Se estão confusos, não estejam, a saga Tomb Raider já está entre nós há mais de 20 anos, estas mudanças não são apenas normais, não necessárias! Mas nesta última reformulação Lara é jovem, acabada de sair da universidade, e está desejosa de seguir as pisadas do pai. Mas sem a experiência real do que é explorar segredos há muito esquecidos, acaba naufragada com um grupo de colegas e amigos numa ilha, Yamatai, que a vai pôr à prova, física e psicologicamente. Enquanto luta por se salvar a ela mesma, tenta sobreviver a elementos naturais e sobrenaturais e pelo caminho tenta salvar o maior número possível dos seus parceiros.

Aquilo que por lá acontece, deixo às descoberta de cada um, já que vai definir por completo aquela que é a Lara que entretanto já bem conhecemos e que já acompanhámos também numa sequela. Mas aquilo que acontece no filme segue ao de leve o que nos contaram no videojogo. O que nos faz voltar à terceira questão colocada lá mais em cima. Será que íamos querer ver a história do videojogo replicada num filme? Será que tal situação era possível? Sinceramente, duvido que fosse interessante e possível colocar uma cópia exacta no grande ecrã.

A melhor opção é aquela a que tivemos direito, onde a linha narrativa principal mantêm-se e existem algumas alterações que facilitam criar empatia com Lara. Além disso, simplificam a história por trás de Yamatai, o que é compreensível, se pensarmos na duração de um filme versus a duração de um videojogo. Curiosamente, a explicação aqui encontrada para o que realmente se passava na ilha é bem mais plausível do que o caminho que optaram no videojogo. Eu sempre fui da opinião que estes novos jogos deveriam ter uma Lara mais focada na explicação científica de certos acontecimentos do que aceitar e assumir que é tudo uma questão sobrenatural. Nos títulos anteriores acho que isso funcionava melhor do que nos actuais que pretendem ser uma representação real de uma jovem-adulta a descobrir quem ela é e a passar por situações que, aparentemente, poderiam colocar qualquer um de nós à prova. Não se trata de dar saltos de 10 metros, empurrar blocos ou descobrir chaves. Mas isto, são assuntos para outra altura. Outro aspecto que favorece o filme é o facto de eles já conseguirem criar o caminho para a sequela, ao contrário do videojogo que na chegada do segundo título apresentou algo forçado a ferros, com uma organização secreta, a Trinity, que parecia ter caído nas mãos da Lara sem qualquer sentido ou aviso prévio. Esta é uma das vantagens do filme ter sido produzido já após o segundo videojogo ter sido lançado.

Porém, nem tudo é um mar de rosas para este filme. Estão lá os momentos chaves do videojogo, a Lara está fantástica e Alicia Vikander fez um excelente trabalho, os efeitos especiais e acção estão bem conseguidos e no geral é um filme bastante acima da média (principalmente após uma apresentação que não agourava coisas muito boas).

Mas os primeiros 15 a 20 minutos de filme são demasiado constrangedores para os conseguirmos levar a sério. Eu estava desejoso que terminassem de tanta vergonha alheia que estava a sentir. Também senti falta do companheirismo que existia entre ela e os colegas de longa data que trazia consigo nesta viagem. Não era necessário criar um backstory totalmente novo quando não há motivo algum para isso. Ela efectivamente tem amigos no filme, mas todos estão inseridos na parte que quero forçosamente apagar da minha memória. O vilão também pouco interesse tinha. Não esperava algo demasiado elaborado tendo em conta que o do videojogo também não o explora muito, mas o videojogo assume que esta é a história da Lara e de como ela se tornou na figura forte e determinada que ela é, no filme isso não está explícito e não dão o mesmo destaque a essa evolução. Talvez porque falta um motivo mais forte para ela continuar a avançar, para apesar das adversidades continuar a levantar-se e a lutar para sobreviver. No filme, ela passa por uma viagem que a move pela curiosidade, no videojogo é uma viagem que a move pela sobrevivência, são coisas bem distintas e com níveis de intensidade bem díspares que no filme acabam por não ter grande impacto.

Apesar disso, o filme continua a ser uma boa entrada nas fatídicas adaptações de videojogos a cinema que mal são anunciadas já estão condenadas ao falhanço. Este apesar de não ser tudo aquilo que tinha capacidade para alcançar, não envergonha ninguém, só é pena ter medo de arriscar um pouco mais.