Nelson Cavaquinho ★★★½

"Eu nasci em 1910 e daí pra cá já passei por tantas coisas tristes. Minhas músicas são tristes, né? Mas gosto muito de palestras com meus amigos, brincar. Tristeza só na música".

"Tá todo mundo embarcando [para a morte]. Eu to na base de esperar minha vez também. Mas pera aí, eu não vou embora agora não, temos que comer muita rabada com batata."

Essas duas frases revelam o paradoxo deste curta que, no fundo, não é sobre Nelson Cavaquinho, mas sobre a pobreza. Hirszman, assim como Nelson, tenta captar aquilo da maneira mais leve possível, escolhendo deixar os momentos cotidianos, que mostram a cara do povo. Porém, e aí que entra o paradoxo, as imagens por si só carregam tristeza. Estamos diante da miséria, de rostos desgastados e estruturas precárias. É através deste caráter ambíguo da imagem que música de Nelson Cavaquinho mostra sua potência.
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"I was born in 1910 and since then I've been through so many sad things. My songs are sad, right? But I really like lectures with my friends, playing. Sadness only in music".

"Everyone's embarking [to death]. I'm waiting for my turn too. But wait, I'm not leaving now, we have to eat a lot of oxtail and potatoes."

These two sentences reveal the paradox of this short film, which, at heart, is not about Nelson Cavaquinho, but about poverty. Hirszman, like Nelson, tries to capture that in the lightest possible way, choosing to leave everyday moments that show the face of the people. However, and where the paradox comes in, the images alone carry sadness. We are facing misery, worn faces and precarious structures. It is through this ambiguous character of the image that Nelson Cavaquinho's music shows its power.

Michel liked this review