Avengers: Endgame ★★

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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Primeiros minutos são realmente muito bons. Principalmente em como ele lida com uma ressaca apocalíptica do filme anterior. Elipses bem pontuais em meio a uma desolação dramática bem contextualizada. Scarlett Johansson inspiradíssima no seu luto já suicida e até o bonecão inexpressivo do Chris Evans consegue atuar em uns 2 planos.

Depois disso vira basicamente um Guerra Infinita versão fanservice. Situações bem semelhantes, mas tudo dentro de um esquema em que cada herói tem um momentinho nostálgico e uma espécie de homenagem gratuita. É realmente um filme de despedida e mais nada.

O que o Guerra Infinita tinha de objetividade e até iconoclastia em algum sentido, esse tem de burocracia e megalomania. Até a batalha final remete aos piores momentos dos outros filmes dos Vingadores. Um monte de gente dando soco e pontapé pra todo lado. Tudo que era bem dosado vira esse gozo coletivo com um checklist do que não pode faltar.

Melhor frase é a do Thanos (ainda o melhor personagem de todo o MCU): “You couldn't live with your own failure”. Se Guerra Infinita foi o respiro fordiano do universo inteiro da Marvel, o filme que lidava com sacrifício e fracasso, que, aí sim, envolvia um bem coletivo e uma ideia de mito fundador, esse é o momento em que a Marvel retorna a sua gestão tecnocrata de cinema: tudo absolutamente calculado e previsível dentro de uma fórmula que eles foram aos poucos forjando durante o desenvolvimento de todos os filmes. Das mortes somente estratégicas (Viúva Negra não tinha família, Tony já era algo mais do que esperado) ao plot espertinho de viagem no tempo que, oportunamente, envolve os encontros saudosos.

Claro que já era uma certeza que os caras iam fazer algo desse gênero no sentido de consertar todas as mortes e etc. Mas fazem da pior maneira possível. Realmente pegam o que tem de menos estimulante na obsessão funcional do universo (do humor as piscadelas pros fãs) e rejeitam a dimensão dramática que poderiam ter explorado muito mais. Pior ainda, transformam essa dimensão numa ideia de homenagem condescendente. Todo o epílogo com o Capitão América deixa a coisa ainda mais ilustrativa.

É um filme que rejeita toda a ideia meditativa de sacrifício, que tinha tudo pra trabalhar bem com essa ideia a partir dessas relações entre humanidade e heroísmo. Até tentam fazer isso na figura e no discurso final do Stark. Mas fazem da maneira mais segura possível. Tem até um quê de Christopher Nolan: um jogo apelativo que tenta bancar uma visão de mundo mas que, no fim das contas, fica na mesma punhetinha complacente.

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