Céline ★★★★

Me remeteu um pouco ao “À l’aventure” no sentido de usar aspectos concretos do espaço pra lidar com questões imateriais. Mas se lá era o sexo que mediava essa fronteira, aqui existe uma relação de altruísmo mesmo, de se doar não no sentido carnal, mas de dedicação diária ao outro, de se apagar em benefício de um bem maior. A busca pela benevolência, a santidade por aquilo que existe de mais humano. É um pouco até como a relação do Rossellini com o catolicismo: assimilar a fé pela matéria e fazer do milagre um gesto trivial, natural, parte de uma realidade cotidiana que já contém a sua própria metafísica.