Toni Erdmann ★★★★½

Falar sobre Toni Erdmann é espelhar duas narrativas que, a princípio são antagônicas entre si. Sob uma lente, temos a grandiosa vida de Ines, que trabalha em uma empresa na Romênia e está sempre atarefada com assuntos ligados a seu ambiente de trabalho e a colegas que presenciam seus afazeres e temos. Sob outra lente, temos a pequenina vida de seu pai, Winfried, um excêntrico homem de meia-idade cujas maiores preocupações são cuidar do cachorro e contar piadas sem graça para pessoas desconhecidas.

No entanto, há algo diferente no contato físico entre os dois. Quando Winfried decide se aproximar da filha e explorar cada vez mais seu espaço de convívio profissional, seus laços afetivos tão reprimidos por ela mesma acabam sendo resgatados pelo pai através de lapsos de memórias suscitados por momentos engraçados.

A partir do instante em que Winfried se transforma em Toni Erdmann, um pseudônimo utilizado em momentos formais justamente para tentar entender a relação da filha com o mundo corporativista e com o mundo que parecia grande demais para seu porte físico mas talvez pequeno demais para seu vasto coração, o longa se transforma numa jornada de descoberta da relação de um pai com uma filha. Um pai que se torna maior que a própria extensão física: vira parte do imaginário, quase um personagem místico, e a filha que finalmente percebeu a ternura de momentos representados por um abraço fraterno. Um grandioso filme de Mauren Ade.

Pedro liked this review