It Chapter Two ★★

"Se conversa muito nos dias de hoje sobre a tal “mainstreamização” do horror, um fenômeno cultural do cinema contemporâneo que (em parte) graças ao achatamento da produção de médio orçamento em Hollywood permitiu ao gênero se emancipar do mercado de nicho e se legitimar enquanto máquina de bilheteria. O que pouco se conversa, porém, é que mesmo neste processo de “popularização” e polarização entre o blockbuster e os longa-metragens “independentes, mas patrocinados” o terror ainda manteve intacto sua caracterização histórica de produção barata dentro da indústria: a exemplo de décadas anteriores, as obras que se consolidaram como verdadeiros sucessos financeiros nestes anos 10 mantiveram a constante do orçamento barato, seja nos conceitos originais (“Corra!”, “Um Lugar Silencioso”, “Hereditário”) ou em continuações dos quais se buscou repetir o feito da boa arrecadação para seus estúdios (como a série “Invocação do Mal” e todos os seus derivados).

É neste cenário de “filmes evento” e da busca de bilheterias cada vez mais exorbitantes, porém, que a continuação de “It: A Coisa” busca estabelecer a este segmento um modelo que mora no outro lado desta balança de extremos. O “segundo capítulo” da nova adaptação do gigantesco livro de Stephen King para as telonas, afinal, não poderia estar mais distante das convenções orçamentárias que permitiram ao terror se provar como fonte de renda confiável de Hollywood, algo obtido não apenas pelo inchaço de seu orçamento aos níveis de uma superprodução da indústria mas pelo próprio tratamento dado pela Warner Bros. e o público após o sucesso descomunal de seu antecessor, há dois anos.

Estamos diante, assim, de um fenômeno de pouquíssimos precedentes na história da indústria hollywoodiana, que embora já tenha em outros momentos dado o devido tratamento de prestígio ao gênero nunca antes fez um esforço tão calculado de montar um blockbuster de terror sob a certeza de obter os lucros subsequentes. É claro que a própria terminologia da palavra “blockbuster” remonta ao “Tubarão” de Spielberg e passa por filmes como “O Exorcista” de Friedkin e o “Gremlins” de Dante, mas é com este “It: Capítulo Dois” que o sistema de estúdios enfim almeja sem nenhuma hesitação o seu próximo mamute milionário – e é exatamente esta escala tão maciça que bem ou mal ocupa o centro das atenções na sequência."

Crítica completa no B9: www.b9.com.br/113433/segundo-it-intriga-pela-escala-de-suas-ambicoes-mas-pouco-faz-por-elas/

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