Space Jam: A New Legacy

Space Jam: A New Legacy ★★★★

28 anos após “Space Jam: O jogo do século” eis que sua sequência: “Space Jam: Um novo legado” chega as telonas. A missão agora é manter a mesma essência do primeiro longa que foi sucesso com o astro de basquete Michel Jordan, porém o desafio é discutir a questão da tecnologia e como isso interfere na relação de pai e filho.

O pontapé inicial da nova continuação, agora contado do ponto de vista do mais famoso astro de basquete, Lebron James, quase como um menção honrosa ao primeiro filme, vemos uma sequencia de fotos e vídeos contando toda sua trajetória e como o astro se tornou um cara importante no mundo do basquete. O que mais chama atenção é a relação com o seu filho Dom, o caçula que está com a cabeça mais focado em games do que basquetebol ou mesmo repetir o legado do pai. Nessa primeira parte da trama vemos como James quer que o filho repita os feitos no esporte, porém Dom não se sente capaz e muito menos com vontade de ser uma cópia de sua figura paterna.

O que a franquia inova é em trazer vários easter-eggs em relação ao próprio universo da Warner Bross, figuras que vão desde Matrix, Game of Thrones, Liga da Justiça e tantos outros e como Lebron James é inserido em meio a isso por ser considerado um jogador de peso, acaba que é normal que empresários querem usar disso e colocar ele próprio no "warnerverso" para que gere mais renda e se comunique com o público, tudo isso com o grande uso de tecnologia. Falando em aspectos tecnológicos, aqui que encontramos AL-G, uma inteligência artificial invejosa que vê uma chance de aprisionar James em seu mundo digital quando sequestra seu filho, Dom.

É interessante como a tecnologia permeia todo filme. O fato de Dom ser mais ligado aos games e o vilão ser uma inteligência artificial, quase como um algoritmo, King ter que batalhar para recuperar seu filho de volta e retornar ao mundo faz com que o enredo também ganha mais camadas. Por isso mesmo é interessante ressaltar as motivações, se no primeiro longa o vilão ataca diretamente os Looney Tunes, aqui ele já ataca o nosso protagonista, e ai que fica mais rico, o astro agora precisa dos Looney Tunes para criar a sua equipe, desafiar AL-G e o Goon Squad, mais conhecido como Esquadrão Valentão, para recuperar o seu filho de volta. Podemos destacar que por esse motivo, o longa é muito mais emocional em tocar na relação pai e filho e como isso se encontra em toda à narrativa.

Agora sobre a questão dos Looney Tunes em si, aqui há uma nova perspectiva, quando James já está transformado em desenho e vai ao encontro de Pernalonga, o coelho famoso da Warner conta que todos abandoaram o mundo dos desenhos porque AL-G fez uma proposta irrecusável para procurar outros mundos, desde então Perna ficou sozinho no Turne World. Aí encontramos e partimos na jornada de Pernalonga e Lebron para reunir a equipe e para jogar. Aqui é legal que nesse contexto, a obra abusa de easter eggs mais uma vez e coloca os Looney Tunes em outros mundos, como por exemplo é possível ver Lola Bunny tentando ser uma amazona, assim como Mulher Maravilha, ou a Vovó lutando como Trinity na Matrix, Coite correndo atrás do Papa-Léguas em Mad Max. Acho muito rico como o enredo cuidou de juntar essas referencias de maneira coesa e redonda, quase como um recurso de metanarrativa que nada mais é do que uma narrativa contida em outra, usando as obras de maior sucesso do estúdio para colocarem seus personagens animados em outro contexto que ainda assim conversa com isso.

Destaco também a atuação de Le Brom James, seu tempo em tela é muito bem conduzido e principalmente, seu carisma. Agora com um motivo para procurar os personagens de desenhos da Warner, é muito mais justificável ele se tornar um desenho e como ele prossegue para conseguir atingir o seu objetivo, sem dúvida é uma atuação memorável que respeita até a essência do original, deixando um novo legado que respeita o que Jordan construiu no original. Le Bron aqui é um cara menos questionador e mais de ações práticas, diferente de Michel, porque o seu desafio já está lançado e por isso há uma dependência maior do astro do basquete em relação aos per


Já Dom, o filho de Lebron, no inicio parece um personagem pouco carismático e chato, para ele é mais legal estar jogando e desenvolvendo games através da internet do que jogar uma partida de verdade em um treino com seu pai, somando todos esses fatores e que estamos em um filme de 2021 com a ajuda da tecnologia. Destaco a relação dele e de Al-G, que no primeiro momento parece sequestrado mas depois se sente feliz e realizado por fazer o que gosta com a ajuda do vilão. Pensar um pouco nisso me faz refletir sobre como muitas vezes, os filhos se aliam a amigos duvidosos devido a falta de diálogos com os pais, ou responsáveis que querem levar o filho a se tornar aquilo que não é, por isso reforço, pais, conversem com seus filhos e filhos, conversem com seus pais.

Na questão do basquete, aqui temos os famosos Looney Tunes que agora foram transformados em 3D para trazer um aspecto mais realista, enquanto o nosso protagonista de desenho se transforma em carne e osso. O que é legal aqui é como o próprio jogo é todo baseado em tecnologia que lembra quase um jogo de vídeo-game, quando um personagem passa a bola para o outro, existe tipo um “select”, ainda há presença de saltos e power-ups durante o jogo que faz com que essa tecnologia funcione para os dois times. O Goon Squad, o time dos vilões da vez, são jogadores da NBA e WNBA que quiseram ceder suas habilidades para ganhar um avatar poderoso digitalmente. Nesse embate ele até lembra o primeiro filme, os vilões dão um coro no Tune Squad e somente no 2º tempo que eles conseguem dar a volta por cima. A plateia aqui é um prato cheio de referências, encontramos King Kong, Gigante de Ferro, Flistones e muitos personagens icônicos preenchendo os bancos da torcida


O que deixa a desejar são alguns pontos, os Monstars até aparece nesse filme, mas apenas para ser mostrado mesmo, não há nada mais que ligue esse ao original e muito menos o Swackhammer, que ninguém sabe o que aconteceu com ele. Pouco se sabe também sobre a história do novo vilão, só sabemos como ele convenceu os tunes e usa a tecnologia ao seu favor, porém, nenhum traço do passado é mostrado ou algo que comprove mais suas motivações. Acho até interessante sua motivação em relação ao protagonista mas ao mesmo tempo muito aleatória.


“Space Jam 2: Um novo legado” consegue conversar sobre as questões da tecnologia e o mundo através da internet ao mesmo tempo que fala da importância dos laços familiares e como eles devem ser mantidos, podemos pensar também na questão de entender os nossos propósitos e fazer o que realmente somos bons. Não acho que ele seja melhor que o primeiro mas em grande parte do seu longa ele consegue respeitar o que foi o original.