Bacurau ★★★★★

"Quem nasce em Bacurau é o quê?"
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"Gente". E gente brava, como se diria na minha terra. Também tem "brava gente brasileira" no nosso hino da 'independência'. Brabeza para os íntimos. Aproveito que citei minha terra e peço licença pra dizer que todo os espelhamentos com o real são tão vivos que, no meu caso, há também 'coincidencias' pessoais afetivas que me conectam ao filme num campo até metafísico, eu diria. PRIMEIRO: se BH é o Texas, Malacacheta é Bacurau. Malaca é onde nasci e que, percebi com o tempo, é conhecida como "terra de gente brava". Os motivos não são louváveis, mas eu me permito agora, depois desse filme, ressignificá-los, uma vez que Bacurau e Malaca são tão parecidas no isolamento, no povo simples, na falta de recursos e na cultura. O interiorzao de Minas, Vale do Mucuri, quase sul da Bahia, eu vejo como irmão do sertão nordestino.
SEGUNDO: Malaca nunca aparecia nos mapas oficias. Quando eu era criança e estudava Geografia, isso me deixava bolada. Mas acabava aceitando que um lugar tão pequeninho fosse excluído das representações cartográficas -difícil foi vivenciar a falta de muitas outras representações. TERCEIRO: o personagem cantador de Rodger Rogério me lembra Seu Abel, ícone de Malaca - aliás, tem filme sobre ele de Ataíde Braga, uma grata surpresa pra mim. E QUARTO: "Marielle Gomes de Souza" é dito no filme. Eu me chamo Raquel Gomes de Souza. Emoção apenas! É bem capaz que quanto mais pensar sobre este filme, mais estarei dentro dele e ele dentro de mim e de nós todos.