Copacabana Mon Amour ★★★½

Nasce aqui outra mítica personagem criada pela dupla Helena Ignez/Rogério Sganzerla: Sônia Silk, representante de uma vontade de ascender socialmente. É perseguida por sua própria necessidade de avacalhar diante das agruras de um país. No fundo, os personagens do filme são todos perseguidos pela miséria brasileira, escondida pelo endurecimento do regime militar depois de 1968, mas exposta pela câmera irreverente de Sganzerla. O Rio de Janeiro é o microcosmo de um país contraditório, que nega suas raízes africanas, esconde a pobreza da favela e torna-se palco para instaurar um sentimento de inadequação aonde quer que os personagens vão. Ao mesmo tempo, não é um sentimento de negação porque faz parte desse cinema escrachar, sem fugir do assunto, sem esconder as imagens do ridículo.