The Vast of Night ★★★½

Impressiona o primeiro trabalho de direção de Andrew Patterson ser esse A Vastidão da Noite, não por ser um filme maravilhoso, mas pela segurança nas ousadias que o diretor assume como forma de lidar com a ficção científica, gênero que pode facilmente te levar para lugares comuns e terrenos já pisados. Patterson faz um filme cheio de referências, mas formata um solo todo seu para falar de um misterioso som que uma dupla improvável – um radialista e uma telefonista – capta numa frequência de rádio numa noite nos anos 1950. O mistério se instaura e tudo nesse filme supõe mistério.

A Vastidão da Noite parece um episódio saído da mítica série televisiva Além da Imaginação (a primeira cena, com a câmera se aproximando e “entrando” numa TV quadrada, onde está passando o programa “Teatro do Paradoxo”, é um forte indício disso). São essas referencialidades que o filme equilibra muito bem com a trama que sustenta, a busca pelo som. Patterson, muito consciente do jogo de ilusões e enigmas de uma boa sci-fi, lida o tempo todo com a noção do visto e do não visto, daquilo que está, mas não se reconhece de fato.

Esse som misterioso nunca é ouvido pelo espectador de modo pleno, assim como a fotografia noturna cobre os personagens e por vezes esconde seus rostos (especialmente dentro dos carros). Em algum momento as pessoas dizem ver no céu uma luz estranha e misteriosa, mas ela nunca se revela diante da câmera. O que sobra são os vestígios de mistério, os dados e informações oferecidos por outros personagens, e o filme resolve isso no texto, no roteiro, nas falas que expandem o suspense. Mas como bom contador de histórias, o diretor sabe também recompensar o espectador, e os minutos finais do filme são preciosos, remetendo diretamente a um Contatos Imediatos de Terceiro Grau, sem a grandiosidade, mas respeitando a força do sobrenatural. Há mais segredos na vastidão do mundo do que sonha nossa vã filosofia.