The Broken Circle Breakdown ★★★★

Alabama Monroe, ou The Broken Circle Breakdown de Felix van Groeningen um diretor belga, ainda jovem e pouco conhecido, mas isso não o impediu de criar esta obra prima. O filme conta a história de um casal um tanto quanto diferente, uma tatuadora bem alternativa e um cowboy (de verdade). Ambos apaixonados por música, considero que este é um dos pontos mais fortes do longa, a trilha sonora é fantástica, a influência de country é predominante, contudo podemos notar um toque de folk, blues e gospel. Não apenas presente, a música é também muito importante para a trama, mas ela não é tudo, pois o roteiro e as atuações são ótimas.

Bons e maus momentos vem e vão, o filme nada mais conta do que uma história de vida, cheia de alegrias e tribulações. O romance e o drama andam juntos o tempo todo e o melhor é como Felix, e o roteirista Johan Heldenbergh, conseguem nos tirar do que estamos acostumados a ver, a receita “hollywoodiana” para o filme redondinho e bonitinho, na vida real o mundo não é algo lindo para todos. Em nenhum momento o filme irá te afagar e te levar pela mão. Algo a se pensar talvez fosse a montagem do filme, isto é, como as cenas são postas uma após a outra, alguns momentos elas podem confundir o espectador. É fácil de entender a ideia do diretor em fazer isso, acredito ser um ponto que afetou um pouco o filme, você não se perde na linha do tempo, porém a forma como foi feita poderia ser melhor. Resumindo, isso não estraga a experiência de assistí-lo, mas pode tirar sua imersão por um instante.

O casal, interpretado por Johan Heldenbergh (sim, o roteirista) e Veerle Baetens é excelente, não poderia acrescentar nada aos personagens, eles têm química, carisma e transformam seus personagens Didier ou Monroe (Johan) e Elise ou Alabama (Veerle) em pessoas verdadeiras. Juntos eles criam cenas românticas e memoráveis, conseguiram lidar com o filme basicamente rodando em torno dos dois. No ato final, outro problema que surge é um longo discurso de Didier, que passou um pouco da cota, poderiam resumir a frustação do personagem em menos palavras, o filme perde um pouco do ritmo por um segundo, mas logo volta para o grande desfecho.

Veredito:
É verdadeiramente lindo e apaixonante, as músicas ficam na cabeça, destaque para “The Boy Who Wouldn't Hoe Corn” do grupo Alison Krauss & Union Station e “Will the Circle be Unbroken?” esta escrita em 1907 por Ada Habershon, uma canção religiosa (ambas regravadas para o filme). Sim, a fé é algo constantemente abordado, assim como política. Não tenha pensamentos céticos, nem tente pré-julgar o filme, pois mesmo que você não se afeiçoe por esses temas eles são abordados de uma forma completamente neutra, sendo muito importante para todo o decorrer da trama. O longa apresenta problemas de ritmo, porem isso não apaga o seu brilho, é um filme fácil para chorar e para se guardar na mente, recomendo ver com um(a) parceiro(a).
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Indicação da Vez: Os Infelizes (De Helaashied der Dingen, 2009)